Violência financeira contra idosos

Enviada em 08/11/2021

O filme “Eu Me Importo” retrata a história de uma empresa estadunidense que, ao distorcer fatos, consegue administrar os bens de inúmeros idosos no país. Essa dinâmica, embora retratada no meio cinematográfico, condiz com a realidade de muitos países do mundo, principalmente com a do Brasil. Neste, a problemática da violência financeira contra idosos passa tanto pelo mundo capitalista como também pela alienação que muitas dessas pessoas mais velhas sofrem.

Em primeiro lugar, em um planeta dominado pela busca incessante de lucro, o idoso, ao ser percebido como um meio fácil de aquisição de capital, é explorado e roubado por pessoas próximas e instituições. Como retrata Adorno em sua teoria sobre o consumismo, a Indústria Cultural, uma forma de capitalizar a cultura, manipula e estimula muitos indivíduos a adquirirem produtos para melhorar suas vidas. Com esse estímulo, a busca massiva por dinheiro torna-se inerente. Nesse contexto, como consequência, as pessoas da melhor idade são manipuladas por outros indivíduos e acabam adentrando em perda de parte de aposentadorias ou em situações de perda total de posse de seus bens. Assim, a alta ganância que muitas pessoas possuem apenas acabam estimulando a busca de mais capital em detrimento de qualquer pessoa, seja ela próxima ou não.

Em segunda análise, a agressão financeira a que muitos idosos são submetidos passa pela distração social e psicológica que muitos deles possui. Segundo Kant em sua teoria sobre a menoridade, o indivíduo que não detém o meio de tomada de decisão própria ou depende de outrem para tomar, será de fácil manipulação e influência. Nesse ínterim, muitas pessoas mais velhas, ao permitirem-se alienar-se do mundo sob a tutela de outrem e não buscar seus próprios meios de independência, seja educativa, seja social, sob alta vulnerabilidade, facilmente serão roubadas. Em consequência, assim, segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, o maior acometimento sofrido por idosos é o financeiro seguido pelo psicológico. Portanto, uma dependência sob alheamento social, permitirá que pessoas abusem e adquiram dinheiro de indivíduos idosos de forma fácil e simples.

Dessa forma, a violência financeira sofrida por idosos passa por um planeta capitalista e consumista e por uma alta abstração que muitos dessas pessoas sofrem. Nesse contexto, o Estado brasileiro, por meio do Legislativo, deve criar leis e gestões que monitorem de perto os bens e salários de pessoas mais velhas, seja com monitorias periódicas às suas transações, seja com ações socioeducativas a eles. Com esses atos, os idosos não compactuariam com perdas de receitas e viveriam suas vidas de forma mais segura e digna. Logo, assim, ocorrerá a inibição de roubos e ações ilícitas contra as pessoas da melhor idade e o país estenderá sua dignidade a todos seus cidadãos.