Violência financeira contra idosos

Enviada em 10/11/2021

No reinado de Elizabeth, rainha inglesa, foi comum o incentivo ao roubo de metais preciosos das embarcações espanholas. Dessa forma, a Inglaterra, por meio dessa apropriação ilícita, aumentou sua riqueza, fato esse que facilitou o pioneirismo inglês na Primeira Revolução Industrial. Análogo a esse contexto, percebe-se que, atos que visão a beneficiação econômica, tal como era feito no reinado de Elizabeth, ainda estão presentes na realidade social brasileira, uma vez que, a violência financeira contra os idosos é recorrente, problema esse que tem como causa a negligência do Estado em promover segurança para os idosos, mas também está relacionado a prática de golpes digitais que visam afetar esse público.

Em primeira análise, a negligência do Estado em promover segurança para os idosos é uma das causas do impasse. Nesse sentido, o filósofo contratualista, John Locke, afirma que o Estado surge para proteger os direitos naturais dos indivíduos, como o direito a proteção da propriedade privada, o que incluí os bens financeiros, pois, no Estado de Natureza, por terem uma identidade egoísta, as pessoas agem de acordo com seus interesses. Entretanto, a função do Estado defendido por Locke não é exercida no Brasil, visto que, o público envelhecido é alvo de crimes que deterioram seus bens econômicos, como a contratação de empréstimos feita pelos familiares dos idosos, sem esses terem aceitado ou assinado os documentos necessários para essa categoria de financiamento, o que demonstra a presença de uma característica do Estado de Natureza, o egoísmo.

Em segunda análise, a prática de golpes digitais incentivam a violência financeira contra os idosos. Nesse contexto, Jean-Jacques Rousseau, filósofo iluminista, afirmou em um concurso da Academia de Dijon, em 1750, que o avanço da ciência e das artes não tornou a humanidade melhor, mas a piorou. Diante disso, percebe-se que, os meios tecnológicos criados a partir do avanço científico, como os celulares, apesar de serem importantes ferramentas de trabalho na contemporaneidade, já que facilitam as comunicações, também são usadas na prática de golpes financeiros, os quais visam a apropriação do patrimônio econômico dos envelhecidos, o que refleti a afirmação de Rousseau feito na Academia de Dijon.

Conclui-se, portanto, que a violência financeira contra os idosos têm que ter um ponto final. Dessa maneira, o Estado, esse que possui forte influência sobre o indivíduo, por meio de ações coletivas com o Facebook, deve criar um algoritmo que permitirá o reconhecimento de golpes digitais propagados nas redes, com o objetivo de identificar e prender os autores desse forma de crime os quais afetam os idosos. Assim, o Estado estará a proteger a propriedade privada e os bens dos mais experientes.