Violência financeira contra idosos

Enviada em 18/11/2021

O quadro expressionista “O Grito”, do pintor norueguês Eduard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto em uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de idosos assolados pela violência financeira é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a desigualdade social. A princípio, é imperioso notar que indiligência do Estado potencializa a violência financeira contra a terceira idade. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria da Instituição Zumbi, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades brasileiras, os idosos acabam sendo alvos de golpes, maus-tratos e abusos, que alem de financeiros, podem escalar a físicos e até mesmo psicológicos. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança da realidade, faz-se imprescindível que o governo ofereçam meios para que essa parcela da população tenha garantia de usufruir de seus direitos constitucionais. Outrossim, é igualmente preciso apontar a desigualdade social como outro fator que contribui para a manutenção do problema. Posto isso, de acordo com o TJDFT, em um estudo feito em 2016, a violência financeira é a mais frequente entre os anciãos, sendo infligida em mais de 30% dessa população no Brasil. Além disso, na maioria das vezes essa violência é infligida por pessoas próximas da vitima, como familiares e cuidadores. Diante de tal exposto, percebe-se que uma sociedade assolada* pela desigualdade social se torna desesperada e violenta, capaz de roubar até mesmo de indivíduos vulneráveis para que consiga viver com menos dificuldades. *Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar. Portanto, faz-se imprescindível que o Governo, a fim de garantir maior segurança e bem-estar aos idosos, implante medidas de redução da desigualdade social, como investimento em educação e em desenvolvimento científico e social, por meio de leis que ofereçam bolsas universitárias, alem de bolsas de pesquisa e desenvolvimento social, para que, dessa forma, haja uma sociedade menos carente, e logo, menos violenta e opressora. Paralelamente, é imperativo que o Estado cumpra seu papel constitucional de assegurador da segurança dos idosos, ao seguir e aplicar de forma eficaz suas leis. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.