Violência financeira contra idosos
Enviada em 07/11/2022
Em agosto de 2022, Sabine Boghici, atriz e herdeira de um dos maiores colecionadores de arte do país, Romeno Jean Boghici, foi presa por um golpe milionário contra a própria mãe, uma idosa de 82 anos. Nesse sentido, fica clara que a violência financeira contra a terceira idade se configura como um problema na sociedade. Assim, tal impasse é provocado não só pela falta de medidas governamentais, como também pelo individualismo.
Sob essa perspectiva, é imperioso destacar a falta de empenho do governo como um fator determinante para a intensificação da problemática. Sendo assim, segundo dados da Ouvidoria da Secretaria dos Direitos Humanos do Governo Federal (Disque 100), a violência financeira contra idosos é a terceira maior no ranking dos tipos de violência cometidos no Brasil contra esse público. Dessa forma, é valoroso que o Estado dê a devida importância para auxiliar o planejamento da velhice de sua nação e cultivar o respeito com essa parcela da população tão importante para a construção social do país.
Outrossim, desde a modernidade, as pessoas passaram gradativamente a se centrar em sua própria sobrevivência e se tornaram menos humanitárias. Analogamente, como pautado pelo sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida”, a comunidade se transformou em algo cada vez mais individual e o outro é considerado como algo indiferente. Sob esse viés, as relações digitais, supérfluas e volúveis, acumulam-se nas redes sociais, em detrimento dos laços respeitosos com os idosos e verdadeiramente humanos, que precisam ser nutridos para priorizar a vida e o bem-estar coletivo. Á vista disso, fica clara a necessidade de combater a violência financeira contra os mais velhos.
Portanto, o governo federal deve, por intermédio da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, realizar campanhas nos principais meios de comunicação social, que falem sobre a importância de se planejar para envelhecer, abordando os principais pontos do que deve ou não ser feito, a fim de priorizar a proteção do idoso e estimular as demais parcelas sociais a respeitar e ter empatia pela terceira idade. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, erradicar narrativas como a de Sabine Boghici e sua mãe.