Violência financeira contra idosos
Enviada em 09/11/2022
Em seu livro “pedagogia do oprimido” Paulo Freire, educador e filósofo, enfatiza a educação como propulsora de mudanças de situações, paulatinamente, ignora-das pelo corpo societário. Ao sair da literatura, nota-se que há uma problemática olvidada na conjuntura brasileira atual: a agressão financeira contra idosos. Nesse diapasão, o acesso à segurança aos idosos e suas finanças, assegurado na carta magna de 1988, é desasistido, seja pelo marasmo estatal ou alienação social.
Primordialmente, vale essaltar que a débil ação do Poder Público conduz, signi-tivicamente, para o revés. Nesse sentido, Gilberto Dimenstein, em sua obra “cida-dão de papel”, diz que a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora seja com-pleta na teoria como lê-se o direito que assegura o idoso como dever do Poder Público no artigo sexto, muitas vezes não se concretiza na prática. Prova disso é a pesquisa re alizada pelo IBGE, a qual estima-se que cerca de 61,6% da parcela idosa já sofreu algum tipo de “golpe” financeiro durante a velhice. Logo, não há, hoje, políticas públicas suficientes que garantam a plena aplicabilidade do texto jurídico.
Para além disso, a escassez de informações sustenta uma sociedade alienada. Isso porque se faz presente entre os brasileiros o “paradoxo moral”, conceito cria-do por Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moder-no. Nessa linha, a carência de discussões nos veículos midiáticos sobre o direito de administração econômica e artimanhas aplicadas para o desfalque financeiro, somado à bolha social causada pelos algorítimos da internet, faz com que os mais velhos não identifiquem e combatam essa problemática, o que reforça a letargia estatal e a falta de criticidade no ideário coletivo. Desse modo, é imprescindível uma mudança de postura do Estado e da grande mídia.
Desarte, cabe ao Poder Executivo realizar reuniões com o Ministério da Educa-ção, para junto a estudiosos sobre a temática desenvolverem políticas públicas que ampliem o combate à golpes financeiros em idosos. Tal ação deve ocorrer por meio da criação de projeto de acesso à informação, á qual irá promover, nos 5570 muni-cípios brasileiros, debates acerca da responsabilidade do Estado para com idosos e suas finanças, a fim de que haja um pleno cumprimento da Constitução. Com isso, a teoria de Freire perdurará a fomentação da ética, em detrimento à alienação.