Violência financeira contra idosos
Enviada em 04/08/2023
“Eu me importo” é uma produção cinematográfica que retrata situações de violência financeira, na qual uma curadora corrupta aproveita-se da condição de tutora para explorar idosos. Infelizmente, a obra foi baseada em histórias reais e mostra que esses abusos podem ter agentes inesperados, indivíduos que ao invés de promover cuidado e segurança aos idosos, aproveitam a oportunidade para para conseguir algum benefício pessoal. Um fator que amplia possibilidades aos oportunistas é a facilidade de contratação de empréstimos pelos bancos, o que também gera severo comprometimento da aposentadoria das vítimas.
Em primeiro plano, a contratação facilitada de empréstimos bancários figura como relevante causa do problema apresentado, uma vez que, muitos contratos são firmados por telefone e apenas com a confirmação de alguns dados. De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em 2020, os empréstimos não autorizados e descontos indevidos lideram o “ranking” de reclamações. Logo,o cenário descrito torna esse segmento da população ainda mais vulnéravel por possuir uma renda fixa: a aposentadoria.
Além disso, a utilização da aposentadoria, como garantia de empréstimos pelas instituições financeiras, gera impossibildade de que sejam mantidas necessidades fundamentais. Segundo uma pesquisa realizada, em 2019, pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) no Brasil, 27% da população idosa possui restrições no sistema do SPC e tem como credores, em sua maioria, instituições bancárias. Portanto, os dados demonstram que uma parcela considerável de indivíduos sofre com um impactante compromentimento de sua renda.
Nesse sentido, a Câmara dos Deputados deveria criar um projeto de lei voltado à proteção do idoso, por meio do qual ficaria proibido que as parcelas de empréstimos bancários fossem descontadas diretamente da aposentadoria a fim de resguardar a principal fonte de renda desse grupo. Ademais, as instituições bancárias ainda poderiam converter taxas de manutenção da conta em benefícios ao idoso, como seguros residenciais. Dessa forma, o Brasil porporcionará um futuro mais justo e tranquilo para a chamada terceira idade.