Violência financeira contra idosos

Enviada em 07/10/2023

A ética planetária, descrita pelo filósofo Hans Jonas, é caracterizada pelo rompimento com a hostilidade da perspectiva capitalista referente às relações sociais, como meio de garantir o bem-estar social. Entretanto, a realidade se mostra discrepante, considerando a problemática acerca da violência patrimonial direcionada aos idosos. Nesse sentido, são imperiosas as discussões relativas à negligência por parte do estado e da sociedade.

Em primeiro lugar, é necessário reconhecer o papel do Estado como perpetuador dessa situação. A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos revela que as maiores vítimas de violação dos direitos humanos são as pessoas acima dos 60 anos, apontando a violência financial como responsável por 54% dessas violações. Tal fator é motivado pela carência de profissionais capacitados para lidar com o público idoso, que frequentemente encontra desafios para navegar o meio moderno, além da falta de políticas públicas que disseminem informações acerca do mundo monetário e evitem golpes que sacrificam a coletividade em prol do acúmulo de capital.

Outrossim, é preciso compreender o impacto da sociedade na perpetuação desse dilema. Análogo a isso, o sociólogo Zygmunt Bauman descreve uma modernidade líquida, caracterizada pela instabilidade das relações sociais e estruturas institucionais. Sujeitando a população a mudanças rápidas e fragmentação nas esferas da vida social, as normas e os valores se tornam superficiais, agravando a alienação no campo intrapessoal. Dessa forma, a falta de empatia e o isolamento encarado por aqueles que compõem a terceira idade se tornam os maiores estímulos para a persistência da problemática no Brasil.

Logo, em fins de mitigar o problema, é inevitável que o Ministério da Comunicação trabalhe de modo a elaborar um plano de conscientização sobre a realidade das pessoas idosas. Ele deve transmitir a mensagem através de propagandas televisionadas e palestras públicas, assim a população será instruída por explicações dos profissionais financeiros, favorecendo o desenvolvimento do conhecimento pecuniário e da empatia por parte das pessoas. Dessa maneira, será possível criar um seguimento entre a ética planetária e o cenário contemporâneo.