Violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente?
Enviada em 14/05/2018
“Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.” Em meados de 500 a.C, o filósofo Pitágoras condicionou que a educação seria o meio que justificaria o fim da violência. Hodiernamente, o pensamento de Pitágoras fora invertido, de forma que a violência familiar seja considerada a remediação para a persistência da educação da criança. Desse modo, evidencia-se que os conceitos educacionais foram permutados pela ilusória condição de ordem que a violência remete, sendo de primeira necessidade modificar todo e qualquer conceito de violência que seja relacionado a uma consequência positiva no meio educacional.
Em primeira análise, cabe parafrasear uma das frases do escritor Augusto Cury, a qual sequencia a violência como uma atitude que unicamente reproduz a ela mesma. Comprova-se isso pela catequização imposta aos povos indígenas brasileiros por parte de Portugal: era uma condição baseada no medo, na possibilidade de violência, pois, caso um índigena se recusasse a imergir no catolicismo, ele seria escravizado por negar a fé colonizadora. Além disso, as subordinações fundamentadas em atos violentos não terminaram no Brasil Colônia, assim como foram aperfeiçoadas no período escravocrata e fixadas na cultura brasileira como sinônimo da permanência da ordem. Dessa forma, vê-se que os conceitos de organização são historicamente relacionados à violência, o que justifica a permanência da violência familiar como sustentação da educação.
Ademais, o determinismo(escola literária que coexistiu com o romantismo brasileiro) afirma que o ambiente em que se vive corrompe a todos que o compartilham. Uma prova disso está na cultura de contrariedade que é feita sobre a admissão de violência no Brasil, de maneira que a violência gerada por atos criminais seja abominável e a violência praticada por familiares seja aceita e considerada necessária para a formação das crianças. Diante disso, percebe-se que a violência infantil persiste justificada pela sociedade, pois, a cultura da violência que fora implantada a partir da colonização brasileira continua a corromper o país como um simples hábito do cotidiano.