Violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente?

Enviada em 01/11/2018

Desde o iluminismo,entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro.No entanto,quando se observa a questão da prática da violência infanto juvenil no país,verifica-se que esse ideal iluminista é contestado na teoria e não desejavelmente na prática,e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país.Nesse contexto,torna-se clara a presença de agressões físicas,sexuais e emocionais,bem como à ineficácia da fiscalização,que contribui para a persistência dessa problemática em nossa sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema.Tal fato se reflete nos escassos investimentos governamentais,em qualificação profissional e em melhor suporte psicológico,medidas que tornariam o ambiente social muito mais coeso e saudável para os cidadãos.Por consequência de tais agressões,a exposição a traumas físicos contínuos é inaceitável independente das circunstâncias,visto que acarreta em graves sequelas aos mais jovens e,em situações extremas,pode levar à morte.A exemplo do caso de Isabela Nardoni,a qual,possuindo apenas cinco anos de idade,faleceu após sofrer agressão e ser jogada pela janela de um edifício.

Outro fator relevante,nessa temática,é a escassez de denúncias,que ainda é agente ativo na manutenção e potencialização da violência infanto juvenil frente à sociedade.Contudo,é fundamental pontuar que as consequências desse problema psicológico devem ser ressaltadas,já que crianças violentadas apresentam maior tendência à depressão e criminalidade,o que gera uma cadeia de dificuldades sociais.Assim,por exemplo,ao crescer em um ambiente onde atos violentos são vistos como normais,a criança torna-se suscetível a ser uma agressora no futuro,o que fomenta esses atos na sociedade.Pois,de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman sobre a liquidez da modernidade,as interações dos indivíduos com seus semelhantes e o ambiente tornaram-se mais fluidas e menos concretas.

É evidente,portanto,que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor.Destarte,cabe à sociedade,em parceira com a mídia,a fim de buscar conscientizar,disseminar,nos meios de comunicação,propagandas que mostrem aos cidadãos o que a omissão dos pais na educação de seus filhos pode causar.Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire,a educação transforma as pessoas e essas mudam o mundo.Ademais,o Ministério da Educação(MEC) deve instruir,nas escolas,palestras administradas por psicólogos,que discutam o combate a violência infanto juvenil,a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras,assim como na alegoria da caverna de Platão.