Violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente?
Enviada em 03/10/2019
Ao longo da história, as crianças eram consideradas pequenos adultos, ou seja, trabalhavam desde a segunda infância, como na Revolução Industrial, e não tinham o cuidado e a proteção dos pais. Atualmente, essa visão se modificou com a compreensão das necessidades infantis. Entretanto, alguns aspectos da educação antiga prevaleceram, dentre estes está a violência como forma de disciplina. Indubitavelmente, esse ato é problemático e deve ser discutido, já que advém da construção social e gera consequências à criança.
Primeiramente, os ensinamentos fornecidos pela sociedade por meio das relações sociais formam os indivíduos. Portanto, o castigo físico como forma de educar é naturalizado e ensinado na sociedade brasileira. Decerto, esse fato se deve a banalização da violência, pois do mesmo modo que os cidadãos influenciam uns aos outros, a mídia também o faz. Segundo o sociólogo Adorno, os meios de comunicação ao repetir algo incessantemente causa na população apatia e impede a reflexão. Sendo assim, as transmissões diárias de diversas violências no país, transformou o povo e o fez ver essa situação como comum. Somado a isso, tem-se os ensinamentos coletivos, nos quais a maioria apoia a agressividade como forma de disciplina, vendo-a como o único meio. Com isso, não há o questionamento diante da violência infanto-juvenil.
Ademais, essa forma cruel e degradante de educar gera consequências à vítima. Sem dúvida, ao ser agredida a criança vê seu corpo sendo tratado como propriedade dos pais, perdendo autonomia e a confiança, já que foi violentado pela pessoa encarregada de cuidar e de protege-la. Além disso, é repassado ensinamentos errados, pois o agredido vê que essa é uma forma de se impor e submeter alguém aos seus interesses. Segundo um estudo da Universidade de Virginia, os filhos que apanharam tinham comportamentos piores a medida que cresciam, portanto, ao utilizar essa forma como disciplina, os pais formam indivíduos com problemas sentimentais, conceitos morais conturbados e traumas.
Em síntese, para que a violência infanto-juvenil seja cessada e os direitos garantidos aos violentados. Cabe ao Legislativo melhorar as leis de proteção, tornando-as mais rígidas em relação aos pais que agridem, aumentando a fiscalização nas escolas com o ensinamento de pedagogos e psicólogos às crianças, que incentivarão a denúncia, sendo ela dos professores, membros familiares ou vítimas. Para que assim, ao denunciar, as consequências legais sejam efetuadas e a segurança do indivíduo garantida. Assim, esse modo disciplinar ficará no passado e a educação continuará a evoluir.