Violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente?
Enviada em 26/05/2020
Na obra Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea, é o oposto do que o autor prega, uma vez que o fim do analfabetismo funcional apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do silêncio da mídia, quanto da subnotificação, e traz consequências como traumas e dificuldade de socialização. Diante disso torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o problema é agravado pela má influência da mídia. Conforme Pierre Bourdieu, um instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influência na consolidação do problema, tratando de forma silenciada os desafios para combater o abuso sexual nos mais novos. Diante de tal banalização da mídia no assunto, agrava-se outro problema, o do receio de denunciar, pois muitas dessas crianças e adolescentes, sofrem tais insolências, em grande parte, dentro das próprias casas, pelos pais ou amigos. Confirmando isso, o Ministério da Saúde diz que, 70% dos casos de abuso infantil, ocorrem dentro de casa. Tal preocupação seria evitada com um melhor papel dos pais e da mídia.
Conseguinte a esses problemas, usualmente, esses jovens levam consigo para a vida, traumas psicológicos e físicos, após sofrerem tais desaforos. De acordo com Sigmund Freud a infância é determinante na identidade e nos comportamentos dos indivíduos posteriormente. Nesse sentido, os traumas sofridos por essas crianças e adolescentes, poderão trazer desdobramentos, por toda suas vidas, gerando desde o início dificuldades, como o mal desempenho escolar, e até mesmo a evasão escolar, ademais, seu convívio social, assim como pessoal será afetado drasticamente.
Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual no problema. Destarte, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre os abusos sexuais nesses indivíduos, no contexto brasileiro. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá, com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo desses surtos, e a coletividade aproximará da realidade descrita por More.