Violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente?
Enviada em 18/10/2020
A concepção de infância - assim como a de adolescência - variou conforme se passava o tempo. Isto é, porque a taxa de mortalidade infantil era altíssima anteriormente, os pais não se incomodavam em desenvolver vínculos afetivos mais profundos com os infantes, tratando-os mesmo como a animaizinhos. Dado esse cenário, é possível pressupor que a prevalência da violência contra crianças e adolescentes é não somente fruto de uma visão histórico-cultural primitiva, mas também da insuficiência da consciência parental, a qual exige alguns rearranjos.
A princípio, cabe discorrer sobre a abordagem histórica do que seja infância. Segundo o historiador Philippe Ariés, a noção de infância durante a Idade Média era praticamente inexistente, visto que os infantes, por não terem capacidade de trabalhar, eram vistos como seres inúteis e frágeis, muito mais propensos à morte do que os adultos. Desse modo, é fácil entender como a conjuntura daquele momento implicou uma lógica de intolerância a crianças, que se perpetua atualmente quando se assume que o que elas pensam tem menor peso só por causa de sua condição.
Ademais, é vantajoso pontuar a atuação dos pais na criação de seus filhos como fator da violência. Nesse sentido, logo se afigura contraditório que os seres a quem os pais dedicam um maior cuidado sejam os que mais tendem a ser punidos por eles. Essa situação pode ser explicada em parte porque alguns parentais pensam que a violência é um requisito da educação domiciliar, e também porque não se fala sobre outros modos - mais conscientes - de como lidar com os pequenos.
Tendo tudo isso exposto, imediatamente se assume que a família tem um papel crucial para que se reverta a situação da violência contra crianças e adolescentes. Assim, o que pode ser feito de mais produtivo é a prática consciente do respeito dos pais com relação aos filhos, a fim de que esses últimos possam se sentir convidados a ter um convívio mais harmônico. Desse modo, em muito se evitará aquela visão arcaica da inutilidade dos mais jovens, dando-lhes espaço e importância.