Violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente?

Enviada em 10/12/2020

No filme “Preciosa: Uma história de esperança” é retratado o abuso físico e psicológico que a adolescente Preciosa sofre dos seus pais. Ao longo da narrativa, nota-se que a personagem desenvolve inúmeros distúrbios de autoaceitação, decorrentes da violência sofrida. Ao sair da ficção, é possível perceber que tal cenário não está restrito às telas de cinema, pois, assim como Preciosa, muitos são, na contemporaneidade, os adolescentes e as crianças vítimas de abusos. Sendo assim, torna-se premente uma análise criteriosa acerca dos fatores que favorecem tal problemática, bem como dos seus efeitos, a fim de propor medidas capazes de garantir os direitos da juventude.

Deve-se pontuar, de início, que esse quadro de violência encontra na sociedade civil a sua causa primordial. Isso ocorre pois, ao tomar como base o pensamento da filósofa Hannah Arendt, a qual afirma que o grupo social é marcado por uma constante “banalização do mal”, percebe-se que a violência contra a juventude não só foi naturalizada, principalmente na forma de educação, como também fomentada durante muitos anos. Exemplo disso pode ser evidenciado no período da 2º Revolução Industrial, quando crianças eram obrigadas a trabalhar em indústrias insalubres e desorganizadas.

Outrossim, é imprescindível ressaltar os distúrbios socioemocionais desenvolvidos por menores de idade submetidos a atos violentos. Tal questão se dá porque a juventude, ao dispor de uma mentalidade bastante prematura, infelizmente, em muitos casos, acredita ser a culpada pelas atitudes dos seus violentadores. Essa situação acontece, por exemplo, no livro “O meu pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos, no qual Zezé é agredido pelos seus familiares e acredita que merece essas agressões devido às suas travessuras. Dessa forma, tal qual o personagem citado, várias crianças também, como resultado da violência contínua, desenvolvem distúrbios caracterizados pela autoculpabilização constante.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar esse cenário. Para isso, compete às escolas, em sinergia com ONGs, desenvolver projetos de ensino acerca da violência infantil. Essa ação pode ocorrer por meio de palestras e atividades lúdicas, em ambientes públicos de fácil acessibilidade para jovens de todas as camadas sociais e devem mostrar às crianças que elas não possuem culpa pela violência que sofrem, com o fito de fomentar o uso de meios de denúncia, não apenas pela juventude, mas por toda a sociedade, e, assim, garantir os direitos juvenis. A partir disso, será possível ajudar as diversas “Preciosas” que existem nos dias atuais.