Violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente?

Enviada em 08/12/2020

A Psicologia do desenvolvimento é o estudo científico do como e do porquê os seres humanos se desenvolvem ao longo da vida. Dessa forma, essa ciência se atenta aos diversos aspectos que possam influenciar, tanto positivamente quanto negativamente, o processo de desenvolvimento dos indivíduos. A partir disso, agressões e negligências acometidas contra indivíduos que se encontram nas fases iniciais de aprendizagem (infância e adolescência) podem gerar diversos impactos na vida interacional dessas pessoas, como traumas e ciclos de ódio. Assim sendo, ao nos atentarmos às possíveis consequências da violência contra crianças e adolescentes, o pensar no combate desta pode se tornar mais claro.

Diante disso, o Psicólogo Lev Vygotsky, importante teórico da abordagem histórico-cultural, apontava a importância do meio social harmônico e suas interações positivas para o desenvolvimento dos indivíduos. Portanto, ao estar inserido num ambiente desfavorável, no qual a criança e o adolescente são acometidos por violência e abuso, toda história de vida dessas pessoas poderão estar comprometidas ao considerarmos os impactos que isso pode causar na psiquê do indivíduo.

Dessa forma, há dois lados nesse debate, o do violentador e o do violentado, sendo que, muitas vezes, tendemos a pensar apenas na punição dos agressores. Assim sendo, considerando as vítimas e os possíveis impactos causados nelas, podemos citar os traumas, que ficam marcados nos indivíduos caso não forem trabalhados, e a possível geração de um ciclo de ódio, no qual comportamentos agressivos são transmitidos geracionalmente por serem entendidos como normais e ferramentas educacionais.

A partir do exposto, torna-se necessário investir em intervenções tanto preventivas quanto no pós-denúncia, para que, assim, o foco do debate centre na vítima e a intervenção se direcione para a raiz do problema: o ciclo de ódio. Diante disso, com o intuito de trabalhar essa temática nas escolas, o Ministério da Educação poderia desenvolver campanhas de conscientização dos pais e dos próprios alunos para construir um entendimento positivo sobre a temática e incentivar a denúncia. Além disso, no pós-denúncia encontra-se a vítima que estará desamparada, portanto, seria importante que o Ministério da Saúde, com o apoio dos Centros Municipais, desenvolvam um sistema mais eficaz para o acompanhamento psicológico dessas vítimas, o que seria ideal para amenizar os impactos traumáticos causados.