Violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente?
Enviada em 23/12/2020
Durante a Guerra do Paraguai, conflito geopolítico desencadeado no século 19, a convocação de crianças para lutar pelo seu país foi uma das táticas adotadas para fortalecer o exército local. De modo anacrônico, percebe-se que a violência contra os jovens permanece até a atualidade ao ser responsável pela formação de uma geração instável devido às consequências decorrentes do abuso físico e psicológico sofridos na infância acarretando a perpetuação de famílias agressivas e de jovens deficientes psicologicamente.
Diante desse cenário, na obra Revolução dos Bichos, escrita por George Orwell, o autor denuncia através de seu personagem Napoleão que ao sequestrar jovens filhotes e criá-los severamente, os mesmos se tornaram agressivos. Logo, ao distanciar-se da ficção, é evidente o papel que a família exerce enquanto alicerce da formação do caráter individual pois se o filho, criado em ambiente agressivo, tende também a tornar-se agressivo tanto com todos aos seu redor como também futuramente com seus próprios filhos, permitindo que esta cultura de violência se prolongue na sociedade.
Assim, ao crescerem em meio à violência doméstica, cresce concomitantemente as deficiências psicológicas, visto que seus primeiros contatos sociais ocorreram de maneira agressiva. De acordo com o jornal G1, cerca de 60% das crianças que sofreram abusos na infância jamais conseguiram superar o trauma. Desse modo, acarretam-se dificuldades para interagir em outros meios fundamentais, como o âmbito escolar. Por serem jovens, as crianças interpretam este tratamento como o adequado e passam a reproduzir sem distinções, o que gera casos de bullying durante a infância e de relacionamentos abusivos na juventude.
Portanto, evidencia-se que a violência contra a criança é responsável pela formação de uma geração instável. Por isso, para solucionar esta problemática de imediato, o Ministério Público deve intensificar a fiscalização e garantir a eficácia do disque denúncia responsável para atender os casos de maus tratos infantis através da capacitação de profissionais para ocupar o cargo de atendente, e como plano a longo prazo, o Estatuto da Criança e do Adolescente em parceria com as famílias, deve criar projetos de conscientização por meio de atividades lúdicas para garantir que a população futura não sofra com os erros da atual.