Violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente?
Enviada em 25/05/2022
“Nós não somos cegos, mas não vemos”. Tal assertiva do livro “Ensaio sobre a cegueira”, do autor José Saramago, dita um conto distópico em que os únicos protagonistas são um médico cego e sua esposa que empresta seus olhar para ajudá-lo em tudo. Ao transparecer o imbróglio da violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente, é evidente que a invisibilidade coletiva sobre a questão, transpõe o enredo figurado. Dessa forma, um dilema postergado por uma mídia omissa e, por conseguinte, um Estado inoperante.
Nessa perspectiva, vale salientar que o primeiro vetor aponta para a imobilidade midiática. Não raro, a insuficiente falta de alerta nas propagandas, panfletos e anúncios que informem o corpo civil sobre o dilema dos maus tratos ao público pueril, fomenta uma psique comunitária inerte de circuntânscia resolvida. Conforme Guy Debord, em sua obra “Sociedade do Espetáculo”, os indivíduos são manipulados pelos aparatos de entrerimento, de modo que sua percepção seja regrada, esse pensamento torna notória a passividade no que tange a degradação do direito juvenil, estimulando a perpetuação dessa conduta prejudicial. Desse modo, se a imprensa não instruir cautela, o efeito paira no ambiente social.
Ademais, outro fator de entrave é a desatenção do poder estatal. De acordo com o site G1 - Casos de violência infantil aumentam 17% em Manaus, diz Polícia Civil -, dado esse que estampa uma árdua realidade, em que o grupo infantil tem suas garantias burladas frequentemente por indivíduos distantes ou mesmo familiares e amigos, acarretando desde agressões verbais até hostilidades sexuais, fatores que influenciam negativamente no desenvolvimento social, econômico e intelectaul dos juvenis dentro da esfera coletiva, visto que a aplicabilidade das leis é vigorada apenas em papel. Ora, uma mudança desse quadro é fundamental.
Infere-se, portanto, medidas para amainar a violência infantil. Logo, torna-se necessário que a mídia verse sobre a questão, por meio de figuras influentes despetando uma visão atenta da coletividade, com o intuito de atenuar o problema. Outrossim, o Poder Público deve investir capital nos meios midiáticos e projetos no entorno escolar e através de campanhas com profissionais da área de segurança e justiça, elucidar sobre a relevância de cautela com crianças e adolescentes, bem como a importância de denunciar, a fim de mitigar essa mazela entre os civis. Assim, a “cegueira” será vislumbrada apenas na ficção.