Violência infantil: como garantir os direitos da criança e do adolescente?

Enviada em 26/06/2022

No filme de 2019, “Coringa”, é retratada a história de um palhaço mal-sucedido que futuramente se tornaria o inimigo do famoso personagem Batman. Quando criança, o palhaço, Artur Fleck, era violentado pelo namorado de sua mãe. Até que Penny, uma mulher que sofria com problemas mentais, o adotou e o levou para ser criado em um ambiente vulnerável e hostil, onde Fleck também era maltratado. Todos esses eventos resultaram em transtornos e traumas marcantes em sua vida adulta. De fato, na realidade atual, os maus-tratos infantis resultam em malezas sociais prejudiciais: a falta de denúncias e as consequências dos traumas de infância na vida adulta.

A violência infantil, infelizmente é muito comum dentre as famílias brasileiras. Segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, mais de 119 mil denúncias de violações de direitos da criança e do adolescente foram registrados em 2021, estando elas na maioria das vezes ligadas aos pais, assim como no caso de Fleck. O mais alarmante é que apesar do grande número de denúncias, existem muitas vítimas que agonizam com o silêncio. Por serem crianças, talvez tenham medo de se “darem mal” com os pais, juntando o medo com o sentimento de culpa; isso acarreta o silêncio e a “aceitação” se tornando necessário o incentivo à coragem para enfrentar o problema.

Recentemente foram realizadas pesquisas que confirmam que os traumas de infância refletem negativamente na vida adulta, com doenças físicas e psicológicas. Segundo uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, traumas precoces, na maior parte dos casos, resultam em depressão e ansiedade na vida adulta. Nesse contexto, é possível afirmar que as experiências adversas da infância (EAI) são mais comuns do que qualquer um possa imaginar e precisam ser reconhecidas como um problema de saúde pública.

Em virtude dos fatos mencionados, faz-se importante a criação de medidas capazes de conter a violência infantil na sociedade brasileira. Por isso, a fim de solucionar a falta de denúncias e traumas gerados, é preciso que as famílias ou escolas prestem mais atenção nos sinais que as crianças expressam, promovendo conversas sobre o tema, e se necessário fazer contato com o conselho tutelar, a fim de que as crianças violentadas recebam o apoio que necessitam. Dessa forma, a vida e saúde dos futuros adultos poderão ser mais felizes