Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 18/11/2020

Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário da violência no trânsito em debate no Brasil: uma inércia que perdura em detrimento da individualidade humana, além das condições insatisfatórias dos transportes coletivos. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas às agressões físicas e verbais ocorridas corriqueiramente no trânsito não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. De outra parte, o sociólogo Zigmunt Bauman defende, em sua obra ‘‘Modernidade Líquida’’, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós modernidade. De maneira análoga, tal egocentrismo, intimamente ligada à ausência de empatia, se manifesta nas ruas por motivos, muitas vezes, banais - como uma ultrapassagem - que gera hostilidades nas vias e promovem anualmente cerca de 40 mil mortes no país, como pesquisado pelo site “Mundo Educação”. Por conseguinte, esse panorama acentua, progressivamente, na acentuação do problema exposto.

Sob outro prisma, faz mister, ainda, salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, disse em suas ‘‘Memórias Póstumas’’ que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: a atual conjuntura do sucateamento dos transportes coletivos é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Com isso, vem crescendo exponencialmente a procura de automóveis individuais, em substituição aos ônibus, o que reflete diretamente nas vias, acarretando no excesso de veículos em tráfego e, consequentemente, no estresse dos motoristas que provoca desentendimentos no trânsito, promovendo uma problemática social com dimensões cada vez maiores.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Assim sendo, é necessário que a mídia, por intermédio de propagandas televisivas, propague campanhas conscientizem sobre os efeitos dos conflitos nas vias, em busca da minimização do impasse. Além disso, o Governo Federal deve investir nos transportes de massa, adquirindo ônibus novos e aumentando a frota, para que aumente a adesão aos veículos e minimize o tráfego exacerbado de automóveis particulares, a fim de que a população perca menos tempo no trajeto e desfrute de transportes de qualidade. Dessa forma, construir-se-á rodovias mais seguras, pois como referido por Karl Marx: ‘‘as inquietudes são a locomotiva da nação’’.