Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 14/12/2020

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está entre os 5 países mais violentos no trânsito do mundo. Com efeito, essa colocação alarmante que evidencia o alto índice de violência do tráfego brasileiro é reflexo da situação caótica em que se encontra a segurança pública do país. Nesse sentido, é possível preconizar que essa problemática é complexa e está atrelada à falta de pensamento racional da população, bem como ao silenciamento da questão.

Primeiramente, convém observar que a irracionalidade dos brasileiros no trânsito colabora severamente para a consolidação desse cenário. Diante disso, segundo o escritor alemão Johann Goethe, nada é mais assustador do que a ignorância em ação. Sob esse viés, nota-se que o disparate naturalizado e a irresponsabilidade ignorante que permeiam a consciência da sociedade, no que se refere ao trânsito, caracteriza seus comportamentos imprudentes, – como não usar o cinto de segurança, usar o celular e não respeitar as regras e sinalizações – os quais são responsáveis por em risco a vida de outros habitantes, alimentando a violência presente no tráfego nacional.

Em segundo plano, vale analisar que a falta de debates sobre o tema é um fator agravante dessa séria conjuntura. Nesse contexto, Jurgen Habermas, filósofo alemão, contribui significativamente com o princípio da ação comunicativa, segundo a qual o diálogo dentro da comunidade é um artifício elementar para o entendimento humano. Nessa perspectiva, entende-se que para que um problema seja revertido é necessário que esse seja amplamente discutido. Entretanto, a violência do trânsito brasileiro ainda é uma questão fortemente silenciada, agindo de forma que a oculta da pauta dos diversos problemas sociais do país e, por fim, perpetuando esse panorama lastimável.

Portanto, para alterar esse quadro reprovável, cabe ao Ministério da Segurança Pública, em parceria com as grandes mídias, produzir e veicular um documentário sobre a seriedade do mapa da violência no trânsito brasileiro e suas dolorosas consequências, por meio de plataformas virtuais, como o YouTube, a fim de promover o debate acerca dessa questão, estimulando mais responsabilidade e racionalidade da população. Essa obra deve ser acompanhada de uma “hashtag” para identi¬ficar e dar mais visibilidade a campanha. Assim, possivelmente, o Brasil deixará de ceifar tantas vidas no trânsito, como apontado pela OMS.