Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 26/09/2020

No documentário “Luto em luta”, é retratada a infeliz situação vivenciada no tráfego paulista, destacando o movimento Não Foi Acidente que defende um projeto de leis contra a violência de motoristas com pedestres. Em paralelo com a obra, o Brasil contemporâneo revela sua face mais cruel no que tange o debate da violência no trânsito. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude do individualismo e da insuficiência legislativa.

Em primeiro lugar, é evidente que o comportamento individualista dos Brasileiros se destaca como um dos principais agravantes da problemática. Sobre isso, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirmar que vivemos em uma sociedade pautada no egoísmo, ou seja, estamos imersos na cultura da valorização do “eu”. Nesse contexto, a tese de Bauman pode ser observada nas ações violentas dos condutores de veículos, uma vez que, em muitos casos os acidentes são causados por esse pensamento individual, assim como pode ser observado em uma pesquisa da Guarda Municipal de Itapetininga (SP), onde 90% das tragédias no trânsito são ocasionadas por imprudência dos motoristas. Sob essa óptica, pequenos atos coletivos ajudariam a mitigar os empecilhos presentes no tema em debate.

Ademais, também é indispensável salientar que a insuficiência das ações do poder legislativo é um dos principais fatores que influênciam na irresolução do empasse. Tomando com fio condutor, o pensamento do filósofo grego Aristóteles, no qual ele alega que o Estado é responsável por garantir a paz de seus cidadãos. A imprudência pública em buscar novas formas de garantir a segurança nas estradas do país contribuí para os altos índices de violência no trânsito, que de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), se encontra na quinta posição das mais altas do mundo. Nessa prespectiva , é evidente que quando as leis que têm como função abolir a mazela não são suficientes, ela se perpétua na nação.

Portanto, é mister que o Brasil adote medidas para amenizar o quadro atual. Urge que o Mistério da Justiça, em parceria com as grandes redes de TV, invista verba para a criação de vídeos informativos que explicarão a importância da coletividade no trânsito, tal mídia será transmitida em horários nobres com o objetivo de atingir um maior público. Desse modo, a população sera educada no que se refere o senso coletivo e serão garantidos  dois importantes direitos universais: a segurança e o bem-estar social. Somente assim casos como os demostrados em “Luto em luta” serão evitados.