Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 26/09/2020
A ética compreende um conjunto de valores que definem o comportamento individual frente à sociedade, no qual deve pautar na harmonia com o coletivo. Entretanto, representa uma utopia quando relacionada ao respeito no trânsito brasileiro, marcado pela indiferença entre os indivíduos. Certamente, a violência nas vias públicas é causada pelos seguintes fatores: a impulsividade centrada na falta de empatia e entendimento ao próximo, e a perceptível sensação de poderio diante das lacunas na segurança pública. Logo, é de extrema necessidade o desenvolvimento estatal de projetos práticos, a fim de amenizar agressões dessa natureza.
Observa-se, em primeira instância, que ações agressivas representam a ausência da compreensão de ocasiões banais que são passíveis de solução. Consoante com o filósofo grego Aristóteles, é necessário o equilíbrio nas condutas humanas, de forma a optar por caminhos que condenem os extremos - aliás o conceito de Justa Medida. Nesse prisma, hodiernamente é raro a ideia de coesão social, substituída pelo individualismo e, consequentemente, facilita que ocorra a violência no trânsito do país. Sob tal ótica, acidentes leves são transformados em grandes motivos para assassinatos ou brigas em público, o que contraria a conformidade coletiva.
Em segunda instância, é indubitável que a existência da impunidade brasileira na resolução de casos violentos corrobora para a indução de atitudes ofensivas. Conforme a Teoria das Janelas Quebradas desenvolvida por psicólogos na década de 60, defende que pequenas desordens motivam a evolução de casos mais graves, além de uma onda de inúmeros crimes. Dessa maneira, a falta de controle na segurança das regiões brasileiras auxilia no sentimento de facilidade no acometimento de ações criminosas. Em suma, é inaceitável o agravamento de atitudes adversas aos direitos humanos por razões corriqueiras.
Evidencia-se, portanto, que ainda na contemporaneidade desentendimentos fúteis no trânsito provocam consequências graves nos indivíduos. Por isso, é dever do DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito) o investimento na disseminação de informações educativas sobre os modos de conduta no tráfego, além de enfatizar os impactos de discussões violentas, por meio das redes sociais, com a finalidade de sensibilizar a população para a mudança de perspectiva. Além disso, o Ministério Público deve fortalecer estratégias para a inviabilizar a impunidade de assassinato, com o mecanismo de câmeras em todos os municípios nas principais rodovias. Assim, com essas medidas holísticas a população estará mais atenta a evitar confusões públicas e estará a propagar comportamentos éticos.