Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 05/10/2020

O mito da caverna, alegoria escrita por Platão, explica a evolução do processo de conhecimento. Segundo ele, os seres humanos se encontram presos em uma caverna, da qual estão habituados somente a ter uma ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão da violência no trânsito, no Brasil, pode ser bem representada pelo mito, visto que esse é um problema que vive às sombras da sociedade, em razão da falta de políticas públicas que priorizem a segurança, bem como a falta de debates sobre a responsabilidade social.

Em primeira análise, vale ressaltar que a falta de políticas públicas que auxiliem para a diminuição da violência no trânsito, coopera diretamente para o aumento de mortes por acidentes. Consoante a esse pensamento, o filósofo iluminista Jean- Jacques Rousseau, na sua obra ‘‘Contrato Social’’, afirma que o Estado é responsável pelo bem-estar da sociedade. Diante disso, uma vez que o Estado se isenta do seu papel não promovendo políticas públicas, para a diminuição da violência no tráfego, ocorre a quebra do contrato social elaborado junto a sociedade, contribuindo para o aumento de mortes por acidentes no país. Desse modo, faz-se necessária a revisão da postura estatal para a melhoria da segurança social.

Além disso, faz-se mister destacar que a falta de debates sobre a educação de segurança no trânsito e a responsabilidade social com a problemática contribui para o aumento da violência. Nesse contexto, de acordo com a guarda municipal, três quartos dos acidentes são causados por imprudência dos motoristas. Nesse prisma, o filósofo alemão Hans Jonas afirma que uma sociedade saudável deve ser capaz de reconhecer suas enfermidades sociais. À luz disso, deve haver reconhecimento social sobre a importância da segurança e atenção no trânsito, sem banalizar os debates sobre o papel dos indivíduos. Dessa forma, faz-se necessária a revisão da postura social sobre a banalização de debates sobre atenção e segurança no trânsito.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver e retirar o impasse das sombras da sociedade. Nesse viés, cabe ao Ministério do Trânsito, junto ao Estado criar medidas de investimentos diretos em políticas públicas, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar que os investimentos feitos pelo Estado devem ser direcionados para campanhas sobre a importância da prudência e dos cuidados no trânsito, como a utilização dos cintos de segurança, bem como a instalação de radares e aumento da fiscalização da lei seca, com fito de diminuir a violência no trânsito e aumentar as políticas estatais para promover o bem-estar social com a redução de mortes, sabendo que o Estado tem um papel essencial na resolução do impasse.