Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 28/09/2020

Para o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, uma das características do brasileiro cordial é sobrepor os interesses individuais aos coletivos. Sob essa perspectiva, é possível ligar a questão da violência no trânsito com a frase de Buarque, tendo em vista que esse problema é fruto do egocentrismo e que pode ocasionar em sérios danos não só na vítima, mas também ao culpado. Diante disso, medidas são necessárias para minimizar a questão da violência no trânsito no Brasil, geralmente causada pela impunidade e pela falta de conscientização de motoristas e pedestres.

Em primeira análise, vale salientar a impunidade como uma das raízes do problema. Ainda que existam leis que garantam a punição daqueles que cometem infrações no tráfego, é notório o fracasso da justiça em executa-las. Desse modo, pode-se citar o uso obrigatório do cinto de segurança, mas diversos motoristas não aderem ao cinto e passam despercebidos das fiscalizações, não recebendo multas. Nesse sentido, tornou-se evidente que o próprio governo colabora com a violência no trânsito, uma vez que não aplica as punições pelo descumprimento das leis.

Ademais, é possível destacar a falta de conscientização da sociedade como impulsionadora da problemática. Decorrente da impunidade, a escassez de visibilidade da violência no trânsito configura um dos motivos pelo qual o impasse persiste, já que passa a ser ignorado pelos brasileiros. Segundo uma pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é quinto país mais violento no trânsito no mundo. Assim, no que tange a hostilidade na circulação de veículos e pedestres, observa-se que a desinformação dos indivíduos atua como agravante da situação.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Faz-se mister, pois, que o governo, em parceria com as Secretarias de Segurança municipais, torne as leis já existentes mais efetivas, além de aumentar a fiscalização nas ruas por meio de câmeras e agentes de trânsito, punindo pedestres e motoristas que infringirem a lei. Além disso, cabe a mídia desenvolver anúncios que alertem a população em geral sobre os riscos da falta de conscientização nas ruas, divulgando também as suas consequências. Espera-se, dessa maneira, que ocorra a limitação desse adverso imbróglio social e que o brasileiro deixe de ser cordial.