Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 29/09/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim de Policarpo Quaresma” sempre teve como característica marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um país pacífico e utópico. Entretanto, a violência no trânsito torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela imprudência dos motoristas, seja pela superlotação do sistema rodoviário, a violência no trânsito continua afetando de forma negativa o cotidiano brasileiro, o que exige reflexão urgente.
Em primeira análise, delitos cometidos pelos motoristas, como :Ultrapassar o sinal vermelho, não dar seta ao mudar de direção, ou dirigir embriagado, representam -segundo a Guarda Municipal de Itapetininga- a causa de nove a cada dez acidentes. Com isso, percebe-se que os condutores dos veículos não obedecem as normas e regras aprendidas na autoescola. Consoante a isso, faz-se mister que o estado invista minimamente na fiscalização do trânsito.
Somado a isso, a superlotação das rodovias, causada pela má qualidade do transporte público- que obriga as pessoas a possuírem veículos individuais- dificulta a redução da violência no trânsito. Uma vez que, segundo documentário da “BBC News”, o número de brigas e acidentes é diretamente proporcional ao número situações estressantes causadas pelo trânsito. Segundo o jornalista irlandês George Bernard “o progresso é impossível sem mudanças”. Analogamente, a melhoria do transporte público é necessária para realização de mudanças nessa área.
Portanto, a violência no trânsito, no Brasil, apresenta barreiras preocupantes. Para amenizar o cenário atual urge que o Estado invista, por meio de verbas governamentais, na contratação e distribuição de mais guardas de trânsito, a fim de que se apliquem mais multas educativas em motoristas infratores, e assim se reduza as imprudências no trânsito. E ainda, cabe ao Ministério do Transporte e as prefeituras municipais, um maior direcionamento de verbas para disponibilização de mais horários de ônibus circulares e metrôs; com intuito de se reduzir a superlotação das vias públicas, e consequentemente, as brigas e acidentes. Espera-se com isso, que se oblitere a violência no trânsito brasileiro. Somente assim, nos aproximaremos do país pacífico e utópico idealizado por Policarpo.