Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 30/09/2020

Países desenvolvidos, como a Holanda e a Suécia, apresentam uma diminuta quantidade de acidentes automobilísticos, devido ao apreço, majoritariamente, do povo pelo respeito à legislação do tráfego. Contudo, o que é realidade na Europa aparenta ser utopia na sociedade verde e amarela, o que reflete a elevada violência contemplada no trânsito brasileiro.Com efeito, a mazela evidencia-se, sobretudo, pela ineficiência do ensino das leis de circulação dos veículos, bem como a sobreposição de interesses pessoais sobre a higidez do deslocamento.

Em primeiro lugar, é importante salientar que o desacato civil das normas fomenta a violência no trânsito. Nesse sentido, o sociólogo Darcy Ribeiro descreve o conceito do pacto de mediocridade como a relação pedagógica contemplada, por exemplo, substancialmente nas autoescolas, em que não há forma de se premiar o mérito de um bom condutor na sociedade. Consequentemente, ocorre a banalização das infrações no tráfego e agressões verbais e físicas surgem como uma resposta ao caos. Logo, a hostilidade no fluxo de veículos, como discutido por Darcy, trata-se de acordo tácito para driblar o dever de cidadão dos brasileiros, sendo assim, algo grave para combater a manutenção dessa selvageria.

Por conseguinte, a indiferença com as diretrizes da movimentação dos transportes potencialmente leva os motoristas a interpretar a vida alheia de forma displicente, o que acarreta riscos aos envolvidos. Acerca disso, segundo as observações do antropólogo Sérgio Buarque de Holanda, é atribuído um caráter emocional ao brasileiro - o homem cordial - aquele que abre margem da ética e da civilidade para gozar de suas próprias preferências. Desse modo, a disparidade entre inclinações pessoais - tanto a necessidade de chegar rapidamente em um destino quanto guiar um veículo alcoolizado - e a salubridade do tráfego coloca em perigo a integridade da comunidade social. Comprova-se, então, por uma pesquisa efetuada pelo Instituto Sangari, que na última década a taxa de mortalidade no trânsito aumentou cerca de 900 pontos percentuais. Destarte, é inaceitável esse quadro distópico.

Portanto, a fim de suprimir o hiato entre o cenário europeu e o brasileiro, é necessário afrontar os desafios para promover o fim da violência no trânsito.Posto isso, a mídia deve promover ações de “merchandising” social - diálogos com fins educativos nas imprensas - por meio da inserção de temas relacionados ao debate sobre essa temática em telenovelas, filmes e peças de teatro. Enquanto isso, fertilizar uma reflexão, no Brasil, com a finalidade de valorizar a vida . Espera-se, sob tal perspectiva, o rompimento com o pacto de mediocridade , como ,também, a ruína do homem cordial.