Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 29/09/2020
De acordo com Aristóteles, “A base da sociedade é a justiça”. Entretanto, o contexto do Brasil no século XXI contraria-o, uma vez que a violência no trânsito demonstra-se como uma questão de injustiça e imprudência, o que desestrutura a base da sociedade brasileira. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar fatores como a lenta mudança na mentalidade social e uma insuficiência legislativa compatível, além de explorar práticas conscientes por toda a população brasileira.
A princípio, considerando o atual panorama de hostilidade no fluxo de tráfego refletido pela transição tardia no intelecto societário brasileiro, deve-se destacar a necessidade de um maior engajamento sociocultural. Nesse sentido, observa-se que, diante do presente cenário imediatista do país e, sobretudo, da negligência da proteção e do cumprimento das normas de trânsito por muitas pessoas, não se pode exigir uma constância em termos de movimentações pacíficas inabaláveis. Afinal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 23% das ocorrências de brutalidade nas rotas de circulação têm como consequência a morte.
Outrossim, essa temática remete uma falta de denúncia pela comunidade como produto da carência de leis e fiscalizações criteriosas. Para Nicolau Maquiavel, filósofo italiano, “Mesmo as leis bem ordenadas são impotentes diante dos costumes”. Desse modo, é preciso estar atento ao fato de que, além de recursos públicos e da supressão de priorização dos interesses financeiros, a eliminação das infrações e, por conseguinte, a redução de muitos casos de óbitos entre os meios de transporte requerem atenção responsável de todos os envolvidos nas dinâmicas tanto sociais quanto judiciárias e econômicas.
Portanto, mais do que um tema pertinente, a violência no trânsito brasileiro representa uma grande objeção. Para que cesse, determinado agente do Ministério da Infraestrutura, tal como o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) ou órgão máximo normativo, consultivo e coordenador, deve pressionar o Governo em busca da valorização de profissionais fiscais, para mediar mudanças socioéticas, e de leis mais correlatas aos anseios populares vivenciados diariamente. Para tanto, isso deve ser feito por meio de orientações mais humanizadas e meticulosas e, em particular, da atuação em paralelo ao Poder Judiciário, promovendo a implantação de regulamentações atualizadas, a fim de garantir, de fato, organização e acatamento por toda a sociedade brasileira. Ademais, a própria sociedade civil deve agir segundo a máxima que gostaria de ver modificada em lei universal, por intermédio da propagação da importância da respeitabilidade das regras de trânsito. A partir dessas ações, espera-se propiciar melhores condições nas redes transitórias brasileiras.