Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 29/09/2020

Na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do pré-modernista Lima Barreto, o autor enfatiza, por meio do personagem principal, a visão de um Brasil sem defeitos. Todavia, em pleno século XXI, o país apresenta uma faceta contraditória a esse ideal, devido ao problema da violência no trânsito. Desse modo, pode-se analisar a tolerância social e o descuido do poder público como causadoras da problemática.

Em síntese, é legítimo postular que a tolerância social estabelece a permanência da violência. Nesse sentido, o conceito de banalidade do mal, desenvolvido pela socióloga Hannah Arendt, diz que a violência, quando muito comum, passa a ser percebida como algo aceitável. Dessa forma, as agressões que ocorrem nas autovias não causam surpresa nos indivíduos que estão assistindo e consequentemente impede que tal problema seja resolvido, pois dificulta o sentimento de necessidade de mudança.

Ademais, outro fator é a negligência do poder público. Dessarte, pode-se citar o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, que prevê a diminuição da mortalidade nas rodovias, mas de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), continua a aumentar. Portanto, fica evidente que o impacto dessas medidas são insuficientes para acabar com o problema e representa um abandono diante da situação que retira a vida de milhares de pessoas por ano, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Sendo assim, medidas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, portanto, que o Detran, departamento de trânsito, crie campanhas de conscientização, por meio das redes sociais, que mostrem depoimentos de pessoas que passaram pela violência no trânsito de maneira que comova a população sobre os fatos, fazendo com que mudem os seus comportamentos diante dessa situação. Além disso, é necessário que o poder público crie leis mais eficientes para que haja uma diminuição de mortes no trânsito. Assim poder-se-á transformar o Brasil em um país sem defeitos, assim como disse Lima Barreto.