Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 23/10/2020

Durante o período da 2ª Revolução Industrial, surgiu o automóvel, uma máquina capaz de facilitar o deslocamento e tornar o transporte de cargas mais eficiente. Posteriormente, as fábricas passaram a adotar o modelo fordista de produção, baseado na produção em larga escala, o que popularizou esse veículo. Contudo, apesar de suas vantagens, o carro e a sua disseminação vieram acompanhados de desafios sociais. Sob tal ótica, a violência no trânsito brasileiro é um problema grave e está relacionado não só com o individualismo como também à cultura nacional do desrespeito as normas.

Inicialmente, a falta de empatia corrobora para os casos de agressão nas estradas brasileiras. Em consonância com Zygmunt Bauman, vive-se a “Modernidade Líquida”, marcada pelo egoísmo e pelo hedonismo, visto que perdeu-se a perspectiva de valorização da comunidade e inseriu-se a de busca pelos próprios interesses acima de qualquer outro. Diante disso, o comportamento de muitas pessoas no trânsito é o de reluta em passar por alguma posição de desvantagem ou injustiça. Nesse sentido, os participantes do conflito, geralmente, não estabelecem uma diálogo para garantir uma resolução pacífica do conflito, mas sim, iniciam uma discussão para exigir o direito de compensação. Dessarte, o individualismo de sempre querer estar certo favorece as brigas e violência no trânsito.

Outrossim, as pessoas possuem uma tendência de burlar as regras para obter vantagens, o que pode levar a acidentes. De acordo com Sérgio Buarque de Holanda, o “Homem Cordial”, que seria o típico brasileiro, age baseado nas emoções e tem dificuldades de entender a universalidade da lei. Por conseguinte, hábitos como o de avançar o sinal vermelho, atravessar fora da faixa e ultrapassar o limite de velocidade são frequentes em nossa sociedade. Entretanto, essas formas de descumprimento da lei favorecem o aumento do número de desastres com automóveis, como revela a 5ª colocação do Brasil no índice global de violência no trânsito, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessarte, nota-se a influência do “jeitinho” nos incidentes com carros e motos.

É mister, portanto, tomar medidas que reduzam os casos de mortes e ferimentos em ruas e avenidas. Logo, cabe ao Poder Legislativo estadual promover uma maior segurança e harmonia no trânsito, por meio da criação de uma lei que torne obrigatório nas autoescolas o estudo sobre como lidar com indivíduos que estão descumprindo as normas, o qual será acompanhado de psicólogos que ensinarão técnicas de controle da raiva. Ademais, deverá ser estabelecido um número mínimo de investimento governamental e de guardas mobilizados para a fiscalização em vias expressas. Espera-se, assim, diminuir o número de brigas e promover um maior respeito as regras para o bem-estar no trânsito.