Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 21/10/2020

Segundo o filósofo existencialista Jean-Paul Satre, " a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota". Nessa perspectiva, a violência no trânsito brasileiro, a qual tem seu crescimento evidenciado, indica falhas na segurança das ruas do país. Dentre elas, destacam-se a mobilidade urbana ineficiente associada ao estresse e o ensino focado na teoria e não na formação dos motoristas conscientes. Tais situações contribuem para o agravamento desse problema de saúde pública.

Desde a última década, com o crescimento da economia brasileira, muitas pessoas passaram a ter poder de compra, aumentando o consumo de automóveis. Porém, o crescimento de carros e motos nas ruas não veio acompanhado de infraestrutura, o que contribui para a formação de congestionamentos nas vias do país. Tal situação afeta a saúde dos motoristas, já que durante os intermináveis engarrafamentos os condutores se tornam impacientes e estressados, algo que pode resultar em discussões e acidentes. Isso é mostrado por uma pesquisa do programa “Fantástico”, que evidencia em 2019 cerca de quarenta mortes ocasionadas por brigas no trânsito.

Ademais, o ensino teórico sem aprofundamento na consciência dos condutores colabora para imprudências no trânsito. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, o uso de celular ao volante foi a terceira causa de mortes no trânsito em 2017. Essa irresponsabilidade ocorre porque as escolas de motoristas baseiam-se no ensinamento de leis e das multas pelas negligências no trânsito, sem atentar os alunos sobre a necessidade de agir corretamente para garantir a segurança nas ruas. Dessa forma, os condutores tendem a respeitar as normas para evitar perdas econômicas com multas e não para impedir possíveis acidentes, como os decorrentes do uso do celular ao volante.

Assim, as vias más estruturadas atreladas ao estresse, e a ineficiência do ensino dos motoristas colaboram para a violência no trânsito brasileiro. Portanto, é dever do Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) promover uma campanha de prevenção, divulgada em propagandas na televisão e nas redes sociais, que disponham de dicas para os motoristas evitarem os congestionamentos, como sair de casa com antecedência, para minimizar o estresse no trânsito. Além disso, é preciso que as escolas de motoristas promovam debates sobre as imprudências mais comuns durante a condução e suas possíveis consequências sobre a segurança das vias, promovendo um olhar mais cauteloso dos futuros motoristas para evitar acidentes no tráfego.