Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 27/10/2020
O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisam os recorrentes casos de violência no trânsito em debate no Brasil, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade. Problemas como esses são potencializados ora pela inércia estatal, ora pela má formação socioeducacional do brasileiro.
Em primeira análise, fundamentando-se na Teoria do Corpo Biológico, proposta pelo sociólogo Émile Durkheim, a sociedade atual funciona como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público configura-se como um órgão falho, dado que os investimentos destinados a campanhas de educação para o trânsito que a haja a disseminação acerca dos malefícios que a atitude desrespeitosa ao trânsito pode acarretar, são ínfimos. Com isso, sem o devido amparo governamental, os índices de violência no trânsito tendem à aumentar, já que, a maioria dos motoristas, são imprudentes e não respeitam regras básicas como usar o cinto de segurança e ativar com antecedência a sinalização de trânsito necessária.
Outrossim, o historiador escocês David Hume, afirma a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o seu pensamento. Sob essa óptica, algumas instituições escolares possuem um ensino deficitário e pouco preparam os indivíduos para um desenvolvimento aprazível em sociedade, já que esta tem a função de ativar a criticidade do ser humano diante dos conflitos do cotidiano. Tal despreparo escolar vai de encontro ao pensamento do filósofo, uma vez que sem o agir crítico e sem o discernimento, muitos jovens não respeitam as regras de trânsito e com isso podem causar acidentes resultando em mortes, em decorrência da escassa conscientização da população, já que este ato poderia diminuir os casos de violência nas estradas.
Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação desse impasse. Para tanto, urge que o Estado aliado à mídia, por meio de verbas governamentais, promova a disseminação de propagandas enaltecendo os malefícios que o desrespeito as regras de trânsito pode causar na sociedade, com o intuito de que menos pessoas sejam acometidas pela violência. Ademais, é importante que as escolas, insira nas grades curriculares palestras voltadas para a violência nas estradas, por intermédio de agentes de trânsito capacitados explicando os problemas que ao dirigir de forma inconsciente pode acarretar e os modos de elucidar o problema, com a finalidade de que a criticidade e a conscientização da população seja ativada. Com isso, o proposto por Nietzsche será concretizado.