Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 09/10/2020

Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o homem é responsável pela destruição do próprio homem. No entanto, sabe-se que, em virtude de fatores históricos relacionados a investimentos prioritários no modal rodoviário, o Brasil enfrenta altos índice de violência no trânsito. Além disso, a imprudência dos motoristas durante a direção consiste em ser outro fator que contribui para a ocorrência de acidentes nas rodovias nacionais. Dessa forma, é preciso intervir com novas medidas públicas, de modo a combater a persistência da violência nas estradas brasileiras.

Em primeira análise, sabe-se que, os investimentos públicos em um único sistema de transporte estão diretamente relacionados aos altos índices de violência nas estradas do país. Isto é, durante o governo de JK houve apoio à instalação de empresas automobilísticas e investimentos prioritários para a construção de estradas para interligar todo o território nacional. Assim, devido à aplicação do capital público em um único modal, as rodovias estão saturadas e contribuem para a ocorrência de acidentes. A exemplo disso, tem-se dados divulgados pelo Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), que aponta que mais de 100 mortes são registradas por dia no Brasil. Logo, é possível perceber que, de fato, a priorização de um meio de transporte perpetua a violência no trânsito.

Ademais, a imprudência dos motoristas enquanto estão dirigindo caracteriza-se como outro fator relevante para os acidentes no trânsito. Nesse viés, sabe-se que, muitas vezes, homens e mulheres optam por dirigir sem o cinto de segurança, atravessar os semáforos antes do momento certo e fazer ultrapassagens perigosas colocando as vidas e as dos outros em risco, afirmando que, realmente, o homem é responsável pela sua própria destruição. Como prova disso, tem-se o posicionamento da especialista em trânsito Catarina Nanini, a qual defende que o problema das colisões nas estradas está relacionado aos vícios e o descuidado que muitos motoristas têm enquanto estão na direção e essa irresponsabilidade contribui para a ocorrência de acidentes. Indubitavelmente, são necessárias medidas públicas que incentivem o combate e a redução dos índices de violência no trânsito.

Portanto, cabe ao Governo, junto ao Ministério da Infraestrutura, desenvolver projetos efetivos para estimular o combate de acidentes no trânsito, por meio da construção de ciclovias nas cidades brasileiras, a fim de reduzir a saturação das rodovias e investir em novos meios de transporte. Além disso, cabe ao Departamento Nacional de Trânsito, divulgar propagandas nas mídias, como televisão, rádio e redes sociais, informando os altos índices de colisões para estimular as atitudes responsáveis e reduzir tais indicadores. Dessa maneira, será possível combater e diminuir as alarmantes taxas de violência no trânsito do Brasil.