Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 10/10/2020
Em 2011, a OMS criou a Década de Ação para a Segurança no Trânsito, criando o Maio Amarelo (mês-referência para monitorar o progresso do projeto). Seguindo essas diretrizes, o Brasil adotou políticas para diminuir a alta incidência de violência no trânsito e sair da terceira posição mundial em número de mortes por essa mesma causa. No entanto, iniciativas como o Plano para Redução de Mortes no Trânsito de 2018 tem se mostrado lentas e ineficazes para lidar com o problema.
Diante disso, faz-se necessário levantar um debate sobre as principais causas da violência no trânsito no Brasil. Apesar da aplicação da Lei Seca, o consumo de álcool continua sendo responsável por 50% dos acidentes no trânsito principalmente entre jovens, segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia. Portanto, leis mais rígidas quanto à ingestão de álcool e direção são essenciais, mas não tem a eficácia esperada pois não criam motivação suficiente para evitar esse comportamento.
A partir dessa análise, pode-se inferir que uma das principais causas da violência no trânsito é a falta de educação e consciência dos condutores. Corroborando com esta hipótese, dados do Observatório Nacional de Segurança Viária revelam que 90% dos acidentes ocorrem por falha humana, incluindo descuidos e imprudência. Como exemplo disso, segundo a ABRAMET, o uso de celular ao volante foi a terceira causa de acidentes de trânsito em 2017, mostrando a dimensão do problema da falta de consciência no comportamento dos condutores.
Urge, portanto criar soluções objetivas para conter o problema e, para isso, o governo deve investir recursos públicos em dois eixos principais: políticas para controle do consumo de álcool e campanhas de educação e conscientização no trânsito. Para o primeiro eixo, é necessário restringir a venda e consumo de álcool em locais e horários onde há maior incidência de acidentes, para minimizar sua ocorrência. Para o segundo, é necessário criar uma campanha massiva de conscientização, mobilizando ONGs, instituições religiosas e a mídia para criar uma cultura de direção defensiva, e adotar na rede pública de ensino conteúdos educativos sobre leis de trânsito. Assim, será porssível reverter esse quadro tão grave de violência no trânsito.