Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 13/10/2020
No governo de Juscelino Kubitschek, durante o período democrático, foi instalado o ‘‘Plano de Metas’’, projeto que contribuiu efetivamente para a infraestrutura e modernização do país. Entretanto, o programa trouxe consequências para a atualidade, visto que se investiu pesadamente apenas no modal rodoviário, de forma a abandonar os outros e ampliar os problemas desse meio. Dessa forma, é necessário discutir sobre a violência de trânsito no país, de modo a pontuar a questão emocional contemporânea e a negligência estatal como fatores.
A princípio, é importante ressaltar a fragilidade psicológica dos motoristas modernos como causa para a agressão no fluxo rodoviário. Assim, de acordo com a obra ‘‘Sociedade do Cansaço’’, do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, os indivíduos hodiernos tem a necessidade de sobressair em todas as áreas, o que os sobrecarregam, de forma a gerar estresse e frustação. Visto assim, os motoristas contemporâneos enfrentam diversas dificuldades e o trânsito acaba a contribuir para seu lapso, posto que o local é agitado e necessita de atenção. Desse modo, a sobrecarga dos indivíduos atuais e o fluxo incessante contribui para as brigas no tráfego.
Ademais, o descaso do poder público frente às agressões no trânsito contribui para sua efetivação. Isso posto, consoante à obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, o português José Saramago ressalva: ‘‘Penso que cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que vendo, não veem’’. Sob tal perspectiva, o Estado se omite perante às brigas rodoviárias, nota a saturação do modal e a carência de organização e, mesmo assim, não evidencia projetos e leis para sanar a violência. Logo, enquanto o governo for ‘‘cego’’, a agressão no fluxo populacional se perpetuará.
Portanto, discutida a violência de trânsito no âmbito social e político, cabe agora ao Estado e seus órgãos mitigar esse cenário. Por isso, urge ao Conselho Nacional de Trânsito - órgão reponsável pelo fluxo brasileiro -, a obrigação de preparar psicologicamente os motoristas brasileiros para o fluxo estressante e de investir em modais alternativos, por meio da empregação de profissionais da saúde mental nesses institutos e da disponibilização de bicicletas públicas com valores simbólicos, a fim de estabilizar emocionalmente os indivíduos e diminuir o intenso fluxo rodoviário. Por resultado, abrandará as agressões no trânsito e retrairá o modal idealizado por Kubitschek.