Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 12/10/2020

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se ao caos contemporâneo da violência no trânsito brasileiro, os quais os cidadãos buscam ultrapassar as barreiras que os separam do direito à vida. Nesse contexto, não há dúvidas de que o debate sobre a violência no trânsito no Brasil é um desafio o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental mas também a imprudência dos condutores veiculares.

A Constituição Cidadã de 1988 garante defesa do direito à vida e integridade física, todavia o Poder Executivo não efetiva essa garantia. Consoante Gilberto Dimenstein, explana sobre a “Cidadania de papel”, o qual rege sobre a existência de uma Carta Magna Federativa ampla e abrangente, porém muitos direitos como a proteção a vida do corpo social não são efetivados na prática. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2018 mais de 32 mil pessoas morreram em acidentes automobilísticos no país. Logo, verifica-se, assim, que este conceito encontra-se presente no Brasil.

Outrossim, a imprudência dos condutores veiculares é um grande impasse para a segurança dos cidadãos no trânsito. Tristemente, a brutalidade e a falta de respeito dos mesmos se faz presente em todo território nacional. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar as pessoas que elas são mais livres do que pensam ser para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras da violência entre condutores.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para combater esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido em instituições do ensino fundamental, médio e superior o qual promova, “A semana do combate à violência no trânsito brasileiro”, junto de palestras, atividades lúdicas e apresentações artísticas de fácil entendimento. Como também ao Ministério das Comunicações promover campanhas televisivas e vídeos via redes oficiais sobre a então questão debatida e banners de alto impacto retórico em espaços públicos. Uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador na comunidade escolar e na sociedade geral por conseguinte. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.