Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 15/10/2020

O filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria do Contrato Social destacou o caos em que o ser humano viva em seu estado de natureza, sendo assim dever do governo garantir um ambiente de harmonia entre os indivíduos. Entretanto, no Brasil, resquícios dessa fase ainda são notados no que tange o debate acerca da violência no trânsito. A partir disso, faz-se relevante entender a morosidade governamental e a indiferença populacional como fatores agravantes desse cenário a ser revertido pelo Estado e pela sociedade civil.

Em primeira análise, convém ressaltar que a preferência estatal pela prevalência do modal rodoviário, impacta diretamente no descontentamento dos cidadãos. Por conseguinte, é válido reiterar o pensamento de Hobbes, visto que os poderes públicos pouco investem na manutenção das vias, tornando ainda mais difícil a locomoção e corroborando a desordem nesse meio. Logo, a ausência de transportes alternativos eficientes não deixa escolha a população -que enfrenta horas de engarrafamento depois de muito tempo de trabalho- o que contribui para o aumento do estresse e consequentemente possíveis agressões nas rodovias.

Paralelo a isso, é possível perceber que o imediatismo da contemporaneidade leva a falta de empatia coletiva e a convicção da impunidade. Desse modo, reflexos dessa realidade são percebidos,  uma vez que na pesquisa da OMS( Organização Mundial da Saúde) o Brasil ocupa o 5° lugar na lista de países mais violentos). Isso é agravado diante à fragilidade das leis empregadas nos conflitos de deslocamento urbano e, em outro extremo, à escassez de uma educação voltada para o comportamento nesse ambiente. Portanto, tem-se uma grande incidência de agressões que derivam da falta de paciência com o próximo, que na maioria das vezes se encontra na mesma situação.

Em suma, evidencia-se a importância de políticas públicas que minimizem o caos na mobilidade urbana. Ademais, cabe ao Ministério da Infraestrutura promover a fiscalização das rodovias brasileiras, por meio da criação de conselhos regionais, integrados por voluntários com auxílio de tablets, na identificação de locais com pistas precárias e também engarrafamentos, para assim facilitar a manutenção dessas rodovias e facilitar o locomoção da população. Outrossim, urge o remodelamento dos principais centros populacionais, pelo Governo Estadual, aumentando as faixas de trânsito, onde possível, e investido em modais ferroviários, com preço acessível a toda a população, prezando pela diminuição do tempo de deslocamento e pelo conforto. Dessa forma, alcançar-se-ia um governo que preze pelo ideal do Contrato Social de Hobbes e uma sociedade que conviva em harmonia.