Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 15/10/2020

Na obra pré-modernista “Triste fim de Poliquarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura percebe-se que tal horizonte literário não mimetiza a realidade atual, visto que o tecido social brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles a violência no trânsito urbano nacional. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto do desleixo do Estado quanto do silenciamento pessoal.

Deve-se analisar, precipuamente, que o desinteresse do Estado é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse viés, evidencia-se a falta de políticas públicas suficientemente efetivas para melhorar a fiscalização no trânsito brasileiro. Diante desse diapasão, sabe-se que esse sentido é comprovado, pelo papel passivo que o Ministério da Urbanização exerce na administração da segurança no tráfego urbano do país. Nessa égide, é visível que tal órgão intitulado para promover a potencialização mobilística no Brasil, ignora ações que poderiam realmente fomentar à segurança no trânsito coletivo. Desse modo, o governo atua como agente perpetuador na estagnação da segurança pública. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infringente.

É vital salientar, ainda, em segundo plano, que a violência no trânsito brasileiro encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição dizendo que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob esse óptica, para que haja à segurança na mobilização veicular, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do Ministério da Saúde, a violência no Trânsito é a terceira maior fatalidade no Brasil, exemplificando a porcentagem de mortos em até 38,8%. Nessa lógica, trazer à parte essa patologia e debatê-la, amplamente, aumentaria a chance de atuação.

Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, em consonância com o Ministério da Urbanização, por meio de ações; fiscalizações  nas rodovias brasileiras, mais investimentos nas vias de tráfegos urbanos e propagandas nas mídias televisíveis, promover uma melhor orientação a todos os indivíduos, para que, de tal forma a violência no trânsito nacional possa ser erradicada das esferas sociais, promovendo, dessa maneira, o bem estar de todos na locomoção mobilística. Assim, os ideais do major Quaresma serão evidenciados na nação.