Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 24/11/2020
O sociólogo Émille Durkheim definiu a sociedade como um organismo biológico cuja parte em disfunção ocasiona o colapso de todo o sistema. Nesse viés, a violência no trânsito, sobretudo no Brasil atual, representa uma parte em disfunção que poderá contribuir para o colapso da estrutura social, o que configura um grave problema para o país. Isso se explica não só pela grande quantidade de veículos nas ruas, mas também pelo consumo de álcool pelos motoristas. Assim, é imprescindível analisar tais fatores a fim de liquidar essa problemática.
A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto do elevado número de automóveis no Brasil. Consoante o pensamento de Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar populacional. Contudo, na prática, esse dever não é cumprido, haja vista o baixo investimento governamental na manutenção do transporte público e na disponibilização de outros modais de transporte para a população. Com isso, aumenta-se a demanda por veículos próprios, o que incha as rodovias e causa congestionamentos e acidentes diariamente. Consequentemente, com a exposição do motorista ao estresse no trânsito cada vez maior, cria-se o ambiente favorável para a violência ocorrer intensamente nesse meio.
Além disso, o assunto em debate deriva, ainda, do consumo de bebidas alcoólicas no trânsito por grande parte dos motoristas. Isso ocorre, pois o álcool é uma droga psicotrópica que altera o comportamento do indivíduo e, muitas vezes, torna-o mais agressivo e violento, podendo causar, sob seu efeito, diversos acidentes e até mortes. De acordo com a OMS, cerca de 2,5 milhões de pessoas morrem todos os anos devido ao uso abusivo de bebidas alcoólicas. Diante desse dado alarmante, é notório que, caso não seja feita a devida fiscalização nas rodovias brasileiras, a população estará constantemente em risco. Logo, a alteração desse quadro deve ocorrer de forma imediata.
Portanto, de modo a reduzir os casos de violência no trânsito, medidas exequíveis devem ser tomadas pelos órgãos de autoridade do país. Primeiramente, cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com o Ministério de Transportes, destinar verba para a melhoria do transporte público no Brasil. Isso deve ser feito por meio de um plano econômico de manutenção de ônibus e metrôs - o qual deve conter projetos de disponibilização de outros modais para o povo, como bicicletas - para que a demanda por veículos próprios diminua e as rodovias do país desinchem, diminuindo o estresse de motoristas, bem como os índices de violência. Ademais, para diminuir o número de condutores embriagados, é dever da Secretaria de Segurança Pública de cada Estado o investimento na intensificação da fiscalização nas ruas, com o uso de bafômetros.