Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 18/11/2020
“Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou regredimos.” Se Euclides da Cunha, escritor brasileiro, ainda estivesse vivo, já teria conhecimento do caminho que a sociedade escolheu. Afinal, uma população que banaliza os comportamentos errados e as leis no trânsito evidencia o regresso de uma sociedade que se diz “civilizada”. Devido a essa falta de consciência e cuidado, o número de acidentes de trânsito aumenta no Brasil e, por isso, é necessário debater as causas e consequências desse problema no país.
Em uma primeira análise, é importante debater o motivo do aumento da violência no trânsito brasileiro. Isso acontece porque, na modernidade - e como foi definido pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman - as relações sociais estão cada vez mais vulneráveis. Aliado a isso e, pós terceira Revolução Industria, as pessoas passaram a viver uma vida de cobranças e estresse. Somado a esses fatores, o problema de engarrafamento das estradas brasileiras uma simples “fechada” ou uma buzina pode virar motivo de briga, podendo ser, em casos mais sérios, fatal. Por isso, a falta de empatia e educação no trânsito é proporcional ao aumento da violência, visto que a maioria dos acidentes e mortes são relacionados ao comportamento do motoristas.
Além disso, o não cumprimento das leis de trânsito também é motivo para o aumento da violência. Isso decorre do fato de que o Brasil não apresenta a vigilância e a punição adequada aos infratores, o que permite uma repetição contínua dos erros. Em defesa dessa assertiva, cabe citar a série “Explicando”, da rede de streaming Netflix, que em um dos seus episódios explica como a relação do não cumprimento das leis está ligado ao aumento da violência no trânsito. Portanto, se não for trabalhada a questão do comportamento da sociedade, o Brasil vai continuar a ter taxas elevadas de mortes no trânsito. Dessa maneira, o Estado precisa deixar sua posição de inércia e agir a fim de combater de forma rígida o enraizamento dessa prática tão maléfica quanto dispendiosa.
Diante da situação exposta, medidas são necessárias para reverter essa situação. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino proativas, o papel de deliberar acerca dessa violência em palestras elucidativas por meio de dados estatísticos e depoimentos de pessoas envolvidas com violência no trânsito, para que a sociedade civil, não seja complacente com a cultura de maus comportamentos. Ademais, cabe ao Poder Público e o Ministério da Infraestrutura, fortalecer as políticas estaduais para enfrentamento dessa violência, capacitando os agentes de trânsito a fim de formar multiplicadores em prevenção a violência. Com essas medidas, quem sabe os leitores de Euclides da Cunha vejam que a população escolheu progredir.