Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 20/10/2020
O processo de urbanização ocorreu a partir de 1950, com o êxodo rural – saída das pessoas do campo para as cidades. Dessa maneira, o crescimento desordenado dos atuais centros urbanos resultou em graves problemas estruturais nas cidades. Nesse sentido, a violência no trânsito é consequência desse processo, no qual a imprudência dos condutores junto ao descaso Governamental na fiscalização das rodovias corroboram para o aumento da violência nesse âmbito.
Vale ressaltar, a princípio, que a questão da violência no trânsito ocorre na maioria das vezes por inconsequência dos motoristas. Dessa forma, atitudes de desrespeito as leis são justificadas a partir do conceito de “ Banalidade do Mal” de Hannah Arendt, em que as pessoas naturalizam atitudes erradas devido a grande frequência em que elas acontecem. Analogamente, os motoristas e pedestres cometem infrações no trânsito diariamente e banalizam os prejuízos que esses comportamentos podem causar.
Além disso, a ineficiência do Poder Público age de forma retrograda no que se concerne a segurança urbana. Nessa ótica, a obra “ Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago, faz um paralelo com a realidade brasileira, pois o autor crítica o homem contemporâneo que se torna moralmente cego. Por conseguinte, esses indivíduos passam a enxergar apenas os próprios interesses e negligenciam os direitos comuns à sociedade. Sob tal perspectiva, o Governo é cego quanto aos problemas de violência no trânsito, uma vez que há poucas intervenções para minimizar o número de transtornos rodoviários. Infere-se, portanto, que há persistência de obstáculos estruturais que dificultam a resolução do problema. Para mudar isso, cabe ao Estado, juntamente ao Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) investir pesadamente em campanhas midiáticas – a respeito dos acidentes e brigas de trânsito e suas graves consequências. Ademais, é imprescindível haja aplicação de multas mais severas em condutores infratores e isso deve ser acontecer por meio de fiscalizações nas rodovias e estradas, com o intuito de diminuir o fluxo de violência rodoviária. Assim, será possível minímizar os problemas estruturais causados pela urbanização.