Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 19/10/2020
O Código de Trânsito Brasileiro afirma ser um direito de todos o fluxo de veículos em condições harmoniosas e seguras. No entanto, tal diretriz não é, de fato, efetivada, posto que a violência existente no trânsito é amplamente observada em território nacional. Tal cenário ocorre não só em razão da precária preocupação governamental em atender as demandas societárias, mas também devido à ausência da abordagem dessa atividade nas instituições escolares. Logo, faz-se necessário analisar as causas corporativas, para que haja uma reversão do quadro.
Deve-se destacar, primeiramente, que a negligência governamental contribui para a manutenção do problema. Acerca disso, em seu livro “O Cidadão de Papel”, o jornalista Gilberto Dimenstein critica a Constituição Federal, ao afirmar que embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Essa proposição pode ser comprovada pelo baixo investimento estatal em políticas públicas capazes de proporcionar o aumento da fiscalização nas cidades, a qual é essencial para controlar os movimentos violentos nessas áreas. Desse modo, o ineficaz incentivo do Governo na administração do trânsito acarreta a limitação dos direitos previstos nos documentos territoriais.
Ademais, é imprescindível destacar que a falta de um ensino voltado a essa esfera representa um entrave para a solução do problema. Sob esse viés, de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, a educação pode ser considerada um fato social, uma vez que esse campo do conhecimento é capaz de moldar o comportamento de cada indivíduo. A partir disso, as instituições educacionais, na grande parte das vezes, ao prezarem por uma instrução tecnicista, na qual não há o estímulo às habilidades sociais, influencia, negativamente, o modo de agir da população. Dessa maneira, em virtude da escassa abordagem sobre a importância da manutenção da prudência e da calma dentro da sociedade, sobretudo durante o tráfego nas ruas, a população adquire uma atitude pautada no desrespeito ao realizar essa ação.
Portanto, tendo em vista o que foi analisado, cabe ao Poder Executivo, na face das prefeituras municipais, aumentar a fiscalização no trânsito, por meio da contratação de profissionais especializados, os quais visem à aplicação eficaz das leis, para que o ambiente urbano se torne pacífico. Além disso, as escolas, principais agentes participantes da formação do intelecto humano, devem instruir os alunos acerca da relevância de se estabelecer a calma no convívio interpessoal, por meio de palestras, a fim de minimizar a violência causada por desentendimentos no meio trafegável. Assim, o país será permeado pelos princípios de suas leis.