Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 22/10/2020

A plena segurança pública é um direito assegurado no artigo 144 da Constituição Federal de 1988. Além de um direito garantido pelo Estado, é responsabilidade de todos colaborar com a ordem nacional, o que é analisado sociologicamente essencial para a formação de uma sociedade civilizada e progressista. Entretanto, observa-se o desrespeito a essa garantia devido ao exorbitante número de violência no trânsito brasileiro, muitas vezes manifestado pela intolerância e pelo mal uso do poder.

Nessa conjuntura, é necessário destacar as principais relevâncias da manutenção da violência no trânsito. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a violência simbólica é exercida pelo corpo social sem necessariamente a coesão física, uma vez que os indivíduos tomam determinada imposição e se tornam intolerantes quanto a atitudes e posicionamentos alheios. Analogamente, no trânsito a intolerância e a impaciência somadas a falta de fiscalização abre espaço para a perpetuação de comportamentos agressivos - discussões, ofensas e brigas-, que podem se desdobrar em danos psicológicos e até morte não somente dos envolvidos mas pode abranger familiares e amigos. Desse modo, não é razoável que, mesmo sendo uma nação pós moderna, os conflitos descritos pelo sociólogo sejam tratados com normalidade pelos brasileiros.

Contudo, existem algumas distorções para essa garantia de segurança pública. Infelizmente, as relações de poder estabelecidas por possuir bens de consumo favorece a violência no trânsito. De acordo com a OMS ( Organização Mundial da Saúde) , o Brasil é o quinto país mais violento do mundo no trânsito. Ocorre que, quando  o indivíduo detém um automóvel -que na sociedade contemporânea é visto como meio de distinção social-, ele se sente no direito de não enxergar e desrespeitar o outro para afirmar um suposto direito que possui e o outo não. Isso, corresponde ao cenário descrito pelo filósofo Michel Foucault em sua obra " Microfísica do poder’’, que afirma que o poder é estabelecido pela classe dominante economicamente por disputa ou luta. Dessa forma, o abuso pode levar a graves prejuízos aos usuários do trânsito.

Portanto, para que  a violência no trânsito deixe de ser um problema o DETRAN com suas respectivas subunidades, devem criar programas de capacitação e conscientização  de motoristas. Isso deve ser feito por meio da implementação de aulas durante o processo de legislação de trânsito, que serão ministradas por profissionais especializados em psicologia do trânsito de forma detalhada e de fácil compreensão, e também deverá ser feito a abordagem de condutores por meio de blitz nas quais serão entregues panfletos expondo a importância do respeito, tolerância e auto controle no trânsito. Logo, a Constituição Federal será cumprida de forma factual.