Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 23/10/2020
No filme “Relatos Selvagens”, de Pedro Almodóvar, dois motoristas perturbam-se por um desentendimento na estrada, o que trava uma busca por vingança de ambos os lados e, finalmente, os personagens lutam até a morte. Apesar de se tratar de ficção, a violência no trânsito tem crescido a cada ano e pode resultar em tragédias, como o desfecho do filme, uma vez que não tem motivações éticas e compromete o direito à segurança. Portanto, é importante o debate dessa problemática de caráter antiético no Brasil e suas possíveis soluções.
A princípio, segundo Immanuel Kant, o fundamento da ética é agir conforme a razão, de forma que essa ação possa ser uma prática universal. Contudo, a violência no trânsito ocorre pela ausência da razão e não deve ser seguida como modelo, uma vez que desrespeita o significado kantiano da ética e põe em risco a ordem social. Nesse sentido, uma sociedade que abre espaço para esse tipo de expressão violenta e altamente evitável está suscetível à autodestruição. Logo, faz-se importante a implementação da ética no cotidiano dos motoristas e a reeducação no trânsito.
Além disso, de acordo com Thomas More em sua obra “Utopia”, para que a vida em sociedade funcione, os cidadãos precisam ter direitos e cumprir com deveres. Dessa forma, a fim de obter segurança no trânsito e evitar resultados caóticos, todas as partes devem seguir suas obrigações – a boa conduta e o uso da ética – e ter seus direitos garantidos – a segurança e o bem-estar. Com essa troca de respeitos, serão diminuídos os casos de violência no trânsito e o Brasil poderá sair da colocação de quinto país mais violento nessa modalidade no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.
Portanto, é dever do Estado garantir a segurança no trânsito, por meio do enrijecimento das leis que contemplam essa violência pública – como maior fiscalização nas rodovias e avenidas, multas mais significativas pelo descumprimento da legislação etc. – e da reeducação de motoristas, ciclistas e pedestres – como a obrigatoriedade de realizar regularmente cursos com dinâmicas e atividades lúdicas a respeito da ética no trânsito, das consequências da má conduta etc. –, a fim de garantir o bem-estar social. Com isso, será possível diminuir essa problemática e garantir o direito à segurança.