Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 25/10/2020

Dentre os inúmeros direitos garantidos pela Declaração dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas), destaca-se a segurança como imprescindível ao bem-estar da nação. No entanto, o Brasil mostra-se muitas vezes como incapaz de atingir tal meta, uma vez que violência no trânsito continua acometendo um número cada vez maior de pessoas e pondo em cheque o bem estar da população. Nesse sentido, torna-se necessário analisar tanto as causas de base educacional para a perpetuação dessa mazela, quanto as de base governamental.

Em primeira análise, destaca-se a ausência de um sistema de ensino que promova uma maior conscientização dos cuidados necessários para se ter no trânsito a jovens e adolescentes. Para o educador brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Sob esse viés, ao optar por um modelo de ensino arcaico, com uma quantidade excessiva de matérias que destoam da realidade dos alunos tupiniquins, o sistema educacional brasileiro abre margem para que estes formem-se adultos desprovidos dos conhecimentos básicos para atividades cotidianas de grande impacto em suas vidas, como o comportamento necessário a ser tomado frente a periculosidade do trânsito, corroborando para a já alta taxa de acidentes.

Faz-se mister, ainda, salientar a ausência de medidas governamentais acerca desta pauta como impulsionador do problema. Segundo o Atlas da acidentalidade no transporte Brasileiro, 90% dos casos de violência no trânsito tem como causas falhas humanas, e dentre elas, destaca-se o uso do celular durante a direção como principal motivo dos acidentes. Nota-se, portanto, a incapacidade do estado em adotar novas políticas que se adequem às novas causas de acidentes, que, mesmo sendo passíveis de punição em teoria, não são fiscalizadas com tanto rigor quanto os casos de embriaguez, mesmo já ocupando o espaço da maior causa da violência no trânsito.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser exercidas a fim de que a problemática em questão seja solucionada. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, inserir em sua grade curricular, aulas elucidativas ao cotidiano dos estudantes, como os cuidados necessários a se ter no trânsito, fazendo com que estes tenham um maior conhecimento acerca da periculosidade no trânsito e lhes forneça as bases necessárias para que evitem os acidentes nele. Outrossim, cabe ao Poder Legislativo, elaborar leis mais contundentes no quesito proteção no trânsito, de modo que se adequem às principais causas de acidentes hodiernos, como o uso de celular, através da implementação de radares de alta tecnologia que sejam capazes de reconhecer o motorista e puni-lo de acordo com a infração que esteja cometendo.