Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 11/12/2020

No início do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. À vista disso, por ser bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é repetido até hoje, “Brasil, País do Futuro”. Entretanto, quando se observa a descomunal violência no trânsito do país, percebe-se que as ideias do autor não saíram do papel. Em síntese, esse cenário antagônico é fruto tanto de questões políticas estruturais quanto do grande consumo de bebida alcoólica pelo povo brasileiro.

Precipuamente é fulcral pontuar que essas circunstâncias derivam da baixa atuação dos setores governamentais. Nesse âmbito, é notável que ao analisar o código de trânsito brasileiro verifica-se um grande problema, dado que, hodiernamente, o nível de tecnologia e potência dos automóveis evoluíram exponencialmente enquanto a lei de tráfego foi criada no final do século passado se tornando obsoleta com o decorrer dos anos. Essa conjuntura, segundo o filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, visto que o Estado não cumpre a sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a segurança no trânsito. Logo, é inconcebível que no Brasil, país com altas taxas de imposto, não haja na mesma proporção, regras de tráfego que preservem a segurança e o bem-estar da população.

Ademais, é imperativo ressaltar a associação entre bebida alcoólica e volante como promotor do empecilho. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 15% das mortes decorrentes de acidentes de trânsito no mundo foram atribuídas ao álcool. Nesse sentido, é notável que ao dirigir embriagado o indivíduo põe em perigo a sua vida e a de inocentes, pois, o álcool é um inibidor do sistema nervoso central que impede estímulos e reflexos, além de mudar a resposta aos riscos. Portanto, torna-se necessário refletir sobre a situação, assim como os impactos nefastos e irreversíveis que a terrível união entre bebida alcoólica e direção pode vir a ocasionar.

Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes a violência no tráfego do Brasil. Para isso, com intuito de mitigar o problema, necessita-se que o Estado faça urgentemente uma reforma no defasado código de trânsito, tais reformas devem ser ministradas por especialistas no assunto, por meio da análise e coleta de dados, tendo como foco principal reverter essa triste realidade. Além disso, se faz indispensável a imposição de leis mais rígidas e multas mais severas sobre o motorista que for pego com mais de 0,05 mg de álcool por litro de sangue. Outrossim, deve se criar cartilhas e panfletos que visem educar progressivamente a população. Desta forma, vai haver mais paz no trânsito e a convicção de Zweig acerca do Brasil se tornará palpável no presente.