Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 26/10/2020
De acordo com o levantamento realizado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, a cada 12 minutos um brasileiro morre vítima de violência no trânsito. Nesse contexto, o mal planejamento urbano e a imprudência de muitos motoristas estão entre os principais motivos para os elevados índices desse tipo de violência no país. Dessa forma, é fundamental que medidas sejam tomadas a fim de reduzir os casos de violência no trânsito e preservar os direitos básicos dos indivíduos, previstos na Constituição de 1988, como o direito à vida e o direito de ir e vir.
Em primeiro lugar, o processo de urbanização brasileiro ocorreu de maneira rápida e desorganizada. Consequentemente, a falta de planejamento e o inchaço urbano, somados ao rodoviarismo, levaram a uma saturação das rodovias das grandes cidades, prejudicando a mobilidade urbana e ocasionando congestionamentos frequentes. Nesse cenário, e em uma sociedade marcada pelo individualismo e pelo imediatismo, a violência torna-se uma ferramenta de imposição de poder sobre os demais cidadãos. Além disso, o despreparo psicológico e o desrespeito às regras de trânsito colaboram para intensificar os conflitos nas rodovias do país.
Ainda conforme pesquisas realizadas pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, 90% dos acidentes de trânsito estão relacionados com o comportamento do motorista. No entanto, a violência no trânsito, apesar de ser uma das maiores causas de morte no país, nem sempre é encarada como um grande problema urbano a ser resolvido. Isso porque, conforme a obra “a banalização do mal”, da socióloga Hannah Arendt, a frequência de determinados tipos de violência levam à sua normalização na sociedade. Assim, a persistência de comportamentos imprudentes de muitos motoristas e o cotidiano violento das rodovias brasileiras passam a ser encarados como algo natural.
Logo é importante que medidas sejam tomadas a fim de diminuir os episódios de violência no trânsito brasileiro e garantir os direitos dos cidadãos. Para isso, cabe ao Departamento de Trânsito a determinação de novas normas para a formação dos motoristas, visando o desenvolvimento psicológico e emocional dos mesmos, por meio de aulas, palestras e simulações, com o objetivo de preparar os futuros condutores para possíveis situações que poderiam desencadear atitudes violentas no trânsito. O Ministério da Infraestrutura, por sua vez, deve ser responsável por criar incentivos ao uso dos transportes coletivos pela população, melhorando sua qualidade e reduzindo suas elevadas tarifas, a fim de amenizar os congestionamentos nas grandes cidades e reduzir os conflitos decorrentes dele. Somente assim será possível reduzir a violência nas rodovias de um Brasil urbanizado.