Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 05/12/2020

O terceiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que todo ser humano é dotado de razão e consciência e deve agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. Todavia, quando observa-se a violência no trânsito no Brasil, percebe-se a ausência desse sentimento de cooperação. Isso decorre da irresponsabilidade dos condutores, aliado à falta de medida educativas, que gera impactos sociais e econômicos à sociedade.

O primeiro fator que deve ser analisado em relação à situação em questão é a negligência dos motoristas, associado à ineficiência do poder público na aplicação das leis. São constantes as notícias sobre casos de desrespeito nesse ambiente social e democrático, causados , geralmente, pelo ato de dirigir alcoolizado, excesso de velocidade e a utilização do celular ao volante. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, a ação de conduzir um veículo e mandar ou ler mensagens no telefone aumenta em 23 vezes o risco de se envolver em fatalidades. Ademais, falta acompanhamento e fiscalização dos procedimentos necessários para o implemento da legislação, o que favorece a sensação de impunidade dos condutores. Desta forma, é fundamental debater sobre o assunto para que a população entenda os riscos e os custos que as suas atitudes suscitam na comunidade.

Ainda, outro entrave na perpetuação dessa problemática é a carência na formação de motoristas, cenário que coloca o Brasil em quarto lugar do ranking de países com maior quantidade de óbitos ocasionados por acidentes segundo a OMS. Nesse sentido, apesar de ser previsto no Código de Trânsito Brasileiro, a promoção da educação nesse espaço social da pré-escola até o ensino superior, não há efetivação dessa lei, medida que minimizaria a negligência e as consequentes mortes. Também, a violência no tráfego é um problema de saúde pública, visto que, em dez anos, as vítimas de desastres viários causaram um impacto de quase três bilhões em despesa para o Sistema Único de Saúde, conforme levantamento do Conselho Federal de Medicina. Isso ocasiona a sobrecarga nos serviços de assistência médica, em especial nos prontos-socorros e nas alas de internações dos hospitais.

Urge, portanto, que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar a violência no trânsito. Para tal, o Governo deve promover campanhas educativas, transmitidas em horário nobre e regularmente, que conscientizem a população, por meio da exposição de dados relacionados ao tema e depoimentos de vítimas. Assim, propiciar uma mudança de comportamento da sociedade, seja como pedestre, ciclista ou motorista. Também, com o auxílio do Ministério da Educação incluir na Base Comum Curricular o ensino das normas  do tráfego desde a educação infantil, logo favorecer a formação de pilotos responsáveis e um ambiente mais seguro para todos.