Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 29/10/2020
O governo de Juscelino Kubitschek, durante a década de 50, foi caracterizado pelo alto investimento no setor de bens duráveis, principalmente direcionado à indústria automobilística, o que provocou o crescimento exponencial de veículos automóveis no Brasil. Paralelamente, ocorreu o aumento da violência no âmbito do trânsito, fenômeno responsável por ocasionar altos índices de mortes. Com isso, é substancial analisar a influência da ausência de educação entre os motoristas e da baixa fiscalização sobre o ato de dirigir.
Em primeira análise, é válido ressaltar que o “Mito da Caverna”, de Platão, é uma alegoria que aborda um grupo de pessoas que se nega a observar a verdade em virtude do medo de sair da zona de conforto, o que ocorre entre os brasileiros que se recusam a observar que a falta de informação é um dos principais fatores da mortalidade no trânsito. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam sua visão a respeito do mundo. Dessa forma, é lúcido afirmar que o baixo número de propagandas de combate à violência nas pistas contribui diretamente para a continuidade do problema, visto que, carentes de anúncios que mostrem os perigos da direção, os motoristas sentem-se à vontade para praticar delitos considerados “leves” , como não não sinalizar com a seta, pois creem que não provocarão acidentes sérios a eles ou aos transeuntes.
Em segunda análise, é necessário frisar que a fiscalização deficitária no trânsito possui uma grande parcela de culpa na manutenção da violência nesse espaço. Nesse viés, o filósofo Foucault afirma que a estrutura de poder é mantida pela vigilância sobre os indivíduos, que passam a internalizar o agente vigilante e a não cometer delitos devido ao medo da punição. Por conseguinte, depreende-se a urgência do acompanhamento por parte do Estado, no que concerne ao respeito às normas de trânsito, pois a falta de blitzes estimula os motoristas a continuar com um comportamento problemático, o que possibilita os acidentes de automóvel e o aumento das taxas de mortalidade por essa razão.
Em suma, medidas são necessárias para reduzir a violência no trânsito no país. Tendo isso em vista, é fundamental que o Governo Federal, juntamente ao Denatran, difunda propagandas que abordem os delitos na direção e seus riscos, por meio de relatos de sobreviventes de acidentes, a fim de despertar na população reflexão quanto às consequências. Adicionalmente, é imperativo que a Polícia Rodoviária Federal intensifique as blitzes, mediante operações com horários mais amplos que visem a fiscalizar o maior número possível de automóveis, com o propósito de impossibilitar a prática de delitos e, assim, tornar possível mais segurança ao dirigir no Brasil.