Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 30/10/2020
José Saramago, em seu romance “Ensaio sobre a cegueira”, caracteriza a banalização das difíceis realidades sociais frente o olhar da sociedade. A obra é permeada por uma profunda crítica social e se correlaciona com o famigerado ditado popular: “O pior cego é aquele que não quer enxergar”. Saindo da ficção, esse cenário é análogo à questão da violência no trânsito brasileiro, uma vez que existe uma notória naturalização dessa problemática pelo corpo social tupiniquim, bem como há um evidente descaso estatal na busca pela mitigação dessa conjuntura.
De início, infere-se que, desde os processos denominados Revoluções Industriais e a ascensão ao capitalismo, o Brasil, por influências externas, se modernizou, bem como um maior desenvolvimento intelectual foi alcançado. Entretanto, nota-se que essa evolução não foi refletida, de fato, sobre as relações sociais contemporâneas, já que problemática da violência ainda é uma realidade preocupante para a nação canarinha, notadamente no que tange à relacionada ao trânsito. Sob essa perspectiva, infere-se que a cristalização desse nefasto contexto se relaciona - infelizmente - com o distanciamento existente entre os indivíduos da sociedade moderna atrelado à ausência de prudência no trânsito tupiniquim, o qual, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o 5° mais violento do mundo.
Além disso, consoante o pensamento do filósofo Immanuel Kant, o indivíduo só atinge a maioridade quando sintetiza a possibilidade de agir com sua própria razão. Não obstante, o Estado, ao negligenciar - muitas vezes - a situação caótica observada nas vias de tráfego de veículos no Brasil, obriga os cidadãos a permanecerem em seu estado de menoridade. Nesse contexto, nota-se que o direito ao bem-estar social, o qual é assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, nem sempre é observado na prática. Concomitantemente a isso, as instituições de ensino emergem como importantes agentes de atenuação dessa realidade, já que, ao formarem seres humanos mais autônomos, contribuem para a construção de uma mentalidade voltada para a busca da real efetivação de seus direitos, bem como para a formação de um país melhor e avançado.
Destarte, diante dessa problemática, constata-se que a “cegueira” social da sociedade moderna deve ser mitigada. Para que isso ocorra, o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve investir em palestras e projetos sociais acerca da questão da violência no trânsito e suas consequências para a população. Esse fato deve acontecer por meio de um amplo apoio midiático, que deve incluir propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre os professores, a fim de quebrar barreiras sobre o tema e atingir um público maior. Assim, alcançará o Brasil uma verdadeira posição de ordem e progresso.