Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 01/11/2020

A partir do governo de Jucelino Kubitschek, o Brasil vivenciou substancial intensificação no seu processo de desenvolvimento rodoviário. Porém, a taxa de segurança no trânsito não cresceu tanto quanto a acessibilidade da população aos automóveis. Nesse contexto, a maior parte da violência no trânsito brasileiro é causada pela irresponsabilidade dos motoristas, o que causa milhares de mortes por ano.

Primeiramente, é indubitável que a maioria dos acidentes sejam oriundos da imprudência de seus envolvidos: segundo dados da Guarda Municipal de Itapetininga, 90% das ocorrências obedecem a esse padrão. Dessa forma, a inconsequência de motoristas que, por exemplo, não obedecem normas básicas de segurança gera falhas que podem resultar em mortes, reafirma Catarina Nanini, especialista em trânsito da General Motors.

Porém, tal negligência advém da cultura separatista que impera nas cidades contemporâneas. Segundo Émile Durkheim, a sociedade evoluiu para o que denominou “sociedade orgânica”, caracterizada pelo crescente individualismo dos cidadãos. Dessa maneira, a perda do senso de coletividade é altamente prejudicial no trânsito. A tomada de decisões de automobilistas que não consideram outros ao seu redor pode acarretar mortes que poderiam ser evitadas; e essa discordância, ainda segundo Durkheim, gera o estado de desordem: a anomia social.

É incontestável, portanto, a necessidade de medidas positivas para conter a hostilidade no tráfego brasileiro. Cabe aos órgãos fiscalizadores do trânsito intensificarem a supervisão exercida nas cidades e nas estradas, por meio de barreiras e radares, a fim de punir quem infringe as normas básicas de segurança, a exemplo da aplicação de multas a estes. Além disso, vale também reduzir o tempo de validade da CNH, fazendo com que motoristas sejam testados e orientados mais frequentemente. Apenas assim a anomia será superada e a taxa de segurança no trânsito brasileiro alcançará um nível aceitável.