Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 03/11/2020
O processo de Urbanização mundial, ocorrido após a Revolução Industrial Inglesa, no século XIX, representou um avanço para o corpo social, na medida que promoveu o desenvolvimento das cidades. Não obstante, tal fato, hodiernamente, torna-se um revés, porquanto os indivíduos têm uma menor consciência coletiva, o que promove altos índices de violência urbana, de modo especial no trânsito brasileiro. Isso se dá não só pela apatia social que permeia as pessoas, como também pela má capacitação dos condutores no trânsito.
Em primeiro lugar, destaca-se uma sociedade transformada pela modernidade como causa dos altos índices de violência no trânsito. O Sociólogo Zigmunt Bauman afirma que as relações atuais são líquidas. Isto é, os indivíduos, diferentemente dos períodos históricos anteriores, não têm fortes vínculos afetivos para com os outros, mas apenas de dependência. Nesse ínterim, observa-se que ações simples que antes eram inofensivas, hoje tornam-se motivos de brigas, discussões e ataques para com o outro. Ademais, as intensas atividades estressantes, somadas a uma grande carga informativa absorvida pelas pessoas no mundo urbanizado, as deixam com uma baixa sanidade mental , o que se mostra, indubitavelmente, como um problema de saúde pública à ser combatido.
De maneira complementar, a baixa qualidade de capacitação dos centros de instrução de condutores, bem como os motoristas e motoqueiros sem licença alguma no trânsito brasileiro, figuram como um grande intensificador dos atos violentos. Dados do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) mostram que 90% dos acidentes no país ocorrem por imprudência, ou seja, tal fato é o reflexo da falta de atenção, capacitação e demais orientações necessárias para os usuários do transporte rodoviário para se fazer um trânsito seguro. Nesse sentido, esse déficit contribui diretamente para as discussões e brigas no trânsito, uma vez que ao cometer um erro, o condutor compromete o fluxo dos demais veículos e põe em risco a vida daqueles que estão próximos de si.
Destarte, urge que os Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) de cada município promovam ações que visem a integridade psicossocial de cada família, por meio de visitas domiciliares com psicólogos e assistentes sociais, com a promoção de uma orientação e avaliação individual, a fim que se busque medidas para que cada um alcance ou mantenha sua sanidade mental. De outra forma, o Estado, por meio de um projeto enviado às câmaras legislativas, deve aprimorar e exigir uma maior infraestrutura dos cursos de formação de condutores, bem como aumentar as fiscalizações nesses locais. Dessa forma, haverá uma redução das vidas ceifadas no trânsito brasileiro, por meio da garantia da sanidade mental e a busca de relações mais sólidas em um corpo social urbanizado.